ESTUDO REVELA CONTAMINAÇÃO E CENÁRIO CRÍTICO NO RIO BEBERIBE ANTES DE OBRA BILIONÁRIA EM PEIXINHOS

Um estudo ambiental anexado ao processo de licenciamento da CPRH revelou um cenário alarmante de degradação ambiental no Rio Beberibe, na divisa entre Recife e Olinda, justamente na área onde será executado um mega projeto de urbanização avaliado em R$ 353 milhões. 

O relatório aponta contaminação da água por esgoto doméstico, presença de metais pesados nos sedimentos do rio, degradação de manguezais e ocupações irregulares em áreas de preservação ambiental.

As intervenções fazem parte do Programa Periferia Viva e incluem dragagem do rio, construção de parques lineares, saneamento básico, ciclovias, pavimentação, iluminação pública e reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco. 

Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), o Rio Beberibe sofre atualmente com forte assoreamento, descarte irregular de lixo, lançamento de esgoto sem tratamento e crescimento desordenado das ocupações urbanas nas margens. O cenário tem agravado os alagamentos que atingem comunidades da região. 

O estudo também identificou excesso de fósforo, alumínio dissolvido, ferro dissolvido e coliformes fecais em vários pontos monitorados. Em algumas áreas, os técnicos encontraram indícios de contaminação até nos aquíferos subterrâneos utilizados pela população local. 

Outro ponto considerado grave é a presença de metais como cádmio, cobre e zinco nos sedimentos retirados do fundo do rio. O material será removido durante a dragagem prevista no projeto. 

O levantamento ainda alerta para o estado crítico dos manguezais da região, impactados por aterros irregulares, acúmulo de lixo e despejo de esgoto sem tratamento. Mesmo degradada, a área continua sendo considerada estratégica para conservação ambiental e abriga espécies da fauna aquática e terrestre. 

O projeto prevê a retirada de cerca de 226 mil metros cúbicos de sedimentos acumulados no leito do Beberibe e a implantação de 21 quilômetros de rede de esgotamento sanitário. 

Além das intervenções ambientais, o plano inclui a construção de 1.164 unidades habitacionais para reassentar famílias instaladas em áreas sujeitas a alagamentos e risco social. 

O investimento total será de aproximadamente R$ 353 milhões, sendo cerca de R$ 160 milhões financiados pelo governo federal através do Novo PAC – Periferia Viva. 

O licenciamento ambiental segue em análise pela CPRH e ainda deverá passar por audiências públicas para discutir os impactos e as medidas compensatórias previstas para a população afetada.

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