ODEBRECHT E VORCARO VIRAM SÓCIOS EM EMPREENDIMENTOS MILIONÁRIOS DE LUXO EM SÃO PAULO

DO METRÓPOLES
A investigação envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ganhou um novo capítulo explosivo. Documentos revelam que empresas ligadas ao banqueiro se tornaram sócias da antiga Odebrecht — hoje Novonor — em empreendimentos imobiliários milionários em São Paulo.
Os projetos envolvem pelo menos seis empreendimentos de alto padrão, incluindo apartamentos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões na região do Itaim Bibi e Vila Nova Conceição, áreas mais valorizadas da capital paulista.
Segundo informações do processo judicial, os empreendimentos são ligados a fundos de investimento atribuídos a Daniel Vorcaro pela Justiça e pelo liquidante do Banco Master. Esses fundos teriam sido usados, de acordo com as investigações, para aquisição e titularização de bens destinados ao benefício pessoal do banqueiro.
As sociedades unem o braço imobiliário da Odebrecht, a Orion Empreendimentos, a empresas como Magma, Verde Bahia e Pérgamo, todas associadas a fundos citados nas investigações da Operação Compliance Zero.
Um dos empreendimentos já concluídos é o Baume Itaim, edifício boutique com apenas 21 apartamentos de luxo. Outros projetos seguem em construção ou em fase de lançamento, somando mais de 577 apartamentos e dezenas de unidades comerciais.
As investigações apontam ainda que parte dos terrenos usados nos empreendimentos teria sido comprada com financiamentos concedidos pelo próprio Banco Master.
A Justiça de São Paulo já determinou bloqueios e averbações judiciais envolvendo bens ligados aos fundos associados a Vorcaro, em uma medida cautelar para futura recuperação de ativos supostamente desviados do banco.
Em nota, a OR — braço imobiliário da Novonor — afirmou que nunca teve relação direta com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master e alegou que os investimentos foram negociados em 2022 com empresas vinculadas ao então CEO do banco, Augusto Lima. A empresa afirmou ainda que iniciou medidas para encerrar qualquer vínculo com as companhias investigadas após tomar conhecimento do caso pela imprensa.
O caso amplia ainda mais o alcance da Operação Compliance Zero, que já investiga suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e movimentações patrimoniais ligadas ao antigo comando do Banco Master.
