Governo Lula contrata navios da COP30 via empresa ligada a sócio de banqueiro investigado

Documentos oficiais revelam que o governo federal contratou navios de cruzeiro para a COP30, em Belém, por meio de uma empresa ligada a um empresário associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, figura central em investigações recentes envolvendo o Banco Master.
De acordo com registros da Casa Civil, a contratação foi realizada pela Embratur, que subcontratou a operadora Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. para viabilizar a hospedagem de delegações internacionais em cruzeiros durante o evento.
A empresa pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Vorcaro em um hotel de luxo em Campos do Jordão. Além disso, a Qualitours integra a holding BeFly, cuja expansão foi financiada, em parte, por recursos vinculados ao Banco Master.
Conexões empresariais levantam questionamentos
Relatórios e informações de mercado indicam que Cohen utilizou fundos ligados ao Master para adquirir empresas do setor turístico, incluindo operadoras tradicionais. Há ainda registros de movimentações financeiras relevantes entre o banco e empresas do empresário.
Embora não haja acusação formal de irregularidade na contratação, a conexão entre os envolvidos ocorre em meio a investigações que já atingiram o entorno do banco e levantam dúvidas sobre relações entre setor público e interesses privados.
Como foi feita a contratação
Segundo o governo, o modelo adotado seguiu três etapas:
- a União acionou a Embratur
- a Embratur realizou chamamento público
- a Qualitours foi selecionada e contratou as operadoras marítimas
Os navios utilizados pertencem às companhias Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.

Governo e empresas se defendem
Em nota, a Embratur afirma que o processo foi regular, com соблюção de critérios técnicos e jurídicos, e que não houve participação do Banco Master na contratação. A agência também destaca que o modelo foi considerado mais vantajoso pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Já a BeFly sustenta que mantém autonomia financeira e que os vínculos com o banco se limitaram a operações de crédito passadas. A Qualitours reforça que cumpriu todas as exigências legais.
O que está em jogo
Apesar da validação formal pelos órgãos de controle, o caso adiciona um novo capítulo ao debate sobre proximidade entre empresários com interesses sensíveis e decisões envolvendo recursos públicos.
Em um evento internacional de grande porte como a COP30, a escolha de fornecedores — ainda que dentro da legalidade — passa a ser analisada também sob o prisma da governança, transparência e conflito de interesses.