Fim da escala 6×1 pode derrubar PIB e pressionar empregos, aponta estudo

A proposta de acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal no Brasil pode ter efeitos relevantes na economia. Um estudo do Banco Inter estima que a mudança pode provocar uma queda de até 0,82% no Produto Interno Bruto (PIB)no médio prazo, caso não haja compensação por ganho de produtividade.
Embora a medida tenha apelo social — ao melhorar as condições de trabalho —, o impacto econômico tende a atingir principalmente setores com alta dependência de mão de obra e contratos formais.
Quais setores mais perdem
De acordo com o levantamento, a construção civil deve ser a mais afetada, com retração estimada de 2,14%, seguida pela indústria de transformação, com queda de 1,87%.
Entre os segmentos mais pressionados, destacam-se:
- vigilância privada, com aumento significativo de custos
- indústria de calçados e autopeças, com queda na produção
- serviços intensivos em mão de obra, como saúde
Por outro lado, o setor imobiliário pode registrar crescimento, impulsionado por mudanças no consumo e menor dependência de insumos produtivos.
Efeito em cadeia na economia
O estudo aponta que o impacto vai além do custo direto com salários. A redução da jornada pode gerar um efeito cascata, encarecendo insumos e reduzindo a produção em diferentes áreas.
Empresas, diante desse cenário, podem optar por:
- reduzir contratações
- diminuir a oferta de serviços
- absorver custos, com queda na margem de lucro
Isso pode comprometer investimentos e limitar o crescimento no longo prazo.
Produtividade é a chave — mas desafio é grande
Para neutralizar a perda no PIB, seria necessário um aumento de 0,47% na produtividade da economia. Embora o número seja considerado factível, economistas avaliam que a meta é pouco provável no cenário atual brasileiro, marcado por baixa eficiência e entraves estruturais.
Entre os principais obstáculos estão:
- baixa qualificação da mão de obra
- infraestrutura deficiente
- rigidez nas regras trabalhistas
- dificuldade de acesso a novas tecnologias
Lições internacionais
Experiências internacionais reforçam o alerta. Em Portugal, uma mudança semelhante levou à redução na geração de empregos. Já na Austrália, empresas preferiram absorver parte dos custos em vez de repassar integralmente aos preços.
O debate segue aberto
Enquanto o governo defende a redução da jornada, o Congresso discute propostas que vão de 40 a 36 horas semanais. O impasse gira em torno do equilíbrio entre ganhos sociais e impactos econômicos.
No centro da discussão está uma pergunta crucial: é possível reduzir o tempo de trabalho sem comprometer o crescimento do país?