Esquema bilionário na alfândega do Porto do Rio derruba auditores da Receita em megaoperação

Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal revelou um esquema bilionário de corrupção e facilitação de contrabando no Porto do Rio de Janeiro. Ao todo, 17 auditores fiscais e oito analistas tributários foram afastados por decisão judicial.
Batizada de Operação Mare Liberum, a ação cumpriu 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além de determinar bloqueio de bens e restrições contra os investigados.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa formada por servidores públicos, importadores e despachantes, que atuava na liberação irregular de mercadorias, com fraudes em declarações e possível sonegação de tributos.
Durante a operação, agentes apreenderam grandes quantias de dinheiro em espécie, incluindo reais, dólares e euros, encontrados em imóveis de auditores investigados.
Segundo a Receita Federal, foram identificadas quase 17 mil declarações de importação suspeitas, envolvendo cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre 2021 e 2026.
O esquema operava com manipulação de controles aduaneiros, permitindo a liberação de cargas mesmo após a identificação de irregularidades graves. A apuração aponta três frentes principais: liberação indevida de mercadorias, fraudes no setor de óleo e gás e pagamento de propina por operadores portuários.
Os envolvidos podem responder por corrupção, lavagem de dinheiro, contrabando, descaminho e associação criminosa.
A operação contou com apoio do Ministério Público Federal e da Corregedoria da Receita Federal.