ESQUEMA DE R$ 132 MILHÕES: QUADRILHA USAVA BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA PARA LAVAR DINHEIRO EM PE

POLÍCIA DESMONTA ESQUEMA BILIONÁRIO DE FRAUDES FISCAIS
A Polícia Civil de Pernambuco revelou detalhes de um esquema milionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que teria causado prejuízo superior a R$ 132 milhões aos cofres públicos. Segundo as investigações, a quadrilha utilizava beneficiários do Bolsa Família como “laranjas” para abrir empresas de fachada e movimentar recursos ilegais.
A organização criminosa foi alvo da Operação Cortina de Fumaça, deflagrada na quarta-feira (6). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e monitoramento eletrônico dos investigados. Até o momento, ninguém foi preso.
BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA ERAM USADOS COMO “LARANJAS”
De acordo com a Polícia Civil, pessoas inscritas em programas sociais do governo federal eram utilizadas para registrar empresas fraudulentas em seus nomes.
Em coletiva de imprensa, o delegado Breno Varejão, titular da Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, afirmou que os investigados ofereciam dinheiro aos beneficiários em troca da utilização dos dados pessoais para abertura das companhias fictícias.
“Essas pessoas recebiam uma contraprestação financeira para participar do esquema e figurarem como titulares de empresas de grande porte”, explicou o delegado.
As investigações apontam que muitos desses “laranjas” recebiam Bolsa Família e outros benefícios assistenciais enquanto apareciam oficialmente como donos de empresas milionárias.
CONTADORES AJUDAVAM A CAMUFLAR O ESQUEMA
Segundo a polícia, o grupo contava com o apoio de contadores que atuavam para dificultar a fiscalização e esconder as fraudes.
Os profissionais seriam responsáveis por criar empresas fantasmas, movimentar documentação e representar as companhias perante órgãos como Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Junta Comercial.
A suspeita é de que o esquema funcionava havia pelo menos dez anos.
EMPRESAS DO SETOR DE ALIMENTOS SÃO INVESTIGADAS
As investigações indicam que a quadrilha atuava principalmente no setor de distribuição de alimentos. Parte das empresas investigadas funciona no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife.
O grupo também tinha atuação em Camaragibe, no Grande Recife, além de Caruaru e Bezerros, no Agreste pernambucano.
Ao todo, 14 pessoas e 36 empresas são investigadas.
VENDA SEM NOTA E FRAUDES FISCAIS
Além da criação de empresas de fachada, a polícia identificou um esquema de comercialização de mercadorias sem emissão de nota fiscal.
Segundo os investigadores, o objetivo era reduzir impostos e criar uma concorrência desleal no mercado.
“Esse tipo de crime prejudica empresários honestos, desequilibra o comércio e reduz recursos que poderiam ser investidos em saúde, educação e segurança pública”, afirmou o delegado Breno Varejão.
OPERAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO
A Operação Cortina de Fumaça é realizada em conjunto pela Polícia Civil, Ministério Público de Pernambuco e órgãos fazendários estaduais.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o destino do dinheiro movimentado pela organização criminosa.