PF APONTA QUE HACKERS LIGADOS A VORCARO RECEBIAM R$ 75 MIL POR MÊS PARA ATAQUES CIBERNÉTICOS E ESPIONAGEM

Investigação revela estrutura paralela com hackers, monitoramento ilegal e suspeitas de invasões digitais no caso Banco Master
A Polícia Federal afirma que o grupo de hackers conhecido como “Os Meninos”, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebia pagamentos mensais de até R$ 75 mil para executar ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento ilegal de alvos ligados ao esquema investigado pela Operação Compliance Zero.
As informações aparecem na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 6ª fase da operação deflagrada nesta quinta-feira.
PF aponta “estrutura tecnológica” do esquema
Segundo os investigadores, “Os Meninos” funcionava como o braço digital da organização criminosa.
A PF afirma que o grupo atuava em:
- ataques cibernéticos;
- invasões de dispositivos eletrônicos;
- derrubada de perfis;
- obtenção ilegal de dados sigilosos;
- espionagem telefônica e telemática;
- monitoramento clandestino de adversários.
As investigações apontam que os hackers trabalhavam diretamente para atender interesses ligados a Daniel Vorcaro e ao grupo investigado no caso Banco Master.
Conversas revelam divisão de dinheiro entre hackers
De acordo com a Polícia Federal, os detalhes dos pagamentos foram revelados em mensagens atribuídas a Luiz Phillipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”.
Em um dos diálogos reproduzidos pela PF, Mourão explica como os valores eram distribuídos entre os integrantes do grupo.
“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma”, teria afirmado.
Na sequência, a mensagem continua:
“Mando pra eles. 400 divido entre 6.”
Segundo os investigadores, os repasses mensais giravam em torno de R$ 75 mil para manter a operação ativa.
“Sicário” seria operador das ações clandestinas
A Polícia Federal afirma que Luiz Phillipe Mourão mantinha contato direto com Daniel Vorcaro e seria responsável pela execução de atividades clandestinas ligadas ao esquema.
Entre as suspeitas investigadas estão:
- obtenção de informações sigilosas;
- monitoramento de pessoas;
- invasões de sistemas;
- ações de intimidação;
- coleta clandestina de dados.
O nome de Mourão já havia aparecido em fases anteriores da Operação Compliance Zero.
Cunhado de Vorcaro também aparece nas mensagens
A investigação aponta ainda que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, seria o responsável habitual pelos pagamentos ao grupo.
Em uma das mensagens citadas pela PF, Mourão reclama da falta de repasses:
“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor.”
Para os investigadores, os diálogos reforçam a existência de uma estrutura organizada de financiamento das atividades ilegais.
Pai de Vorcaro foi preso
Durante esta nova fase da operação, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro.
Segundo a PF, ele atuava como operador financeiro do grupo chamado “A Turma”, núcleo acusado de promover ameaças, intimidações presenciais, coerção e levantamentos clandestinos contra desafetos de Vorcaro.
Além disso, policiais federais também foram alvo da operação. Uma delegada acabou afastada e um agente foi preso sob suspeita de vazamento de informações sigilosas.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial teria sido baseada em fatos ainda não esclarecidos e alegou que as explicações da defesa não foram previamente ouvidas antes da prisão.
Os advogados também disseram que pretendem demonstrar a legalidade das movimentações investigadas.