PF faz nova operação ligada ao escândalo do Banco Master e mira fundo de previdência em Pernambuco

Investigação apura aplicação de R$ 3 milhões em investimentos de alto risco no fundo dos servidores de Paulista; ação é desdobramento do caso que levou Daniel Vorcaro à prisão.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), uma nova operação relacionada ao escândalo financeiro que envolve o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. Batizada de Operação Take Over, a ação investiga supostas irregularidades na gestão dos recursos do fundo de previdência dos servidores públicos do município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Segundo a PF, cerca de R$ 3 milhões teriam sido direcionados para investimentos considerados de alto risco por meio de decisões que teriam desrespeitado normas legais e regras de governança exigidas para a administração de recursos previdenciários.

Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

De acordo com os investigadores, a operação busca esclarecer se houve gestão temerária ou fraudulenta, além de apurar possíveis crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.

A Polícia Federal também investiga a suspeita de que gestores do fundo possam ter recebido vantagens indevidas para autorizar as aplicações financeiras.

Ligação com o caso Banco Master

A Operação Take Over é mais um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, e seu fundador, Daniel Vorcaro, está preso desde março deste ano. As investigações apontam suspeitas de manipulação financeira, pagamento de propinas, espionagem, intimidação de adversários e uso de estruturas fraudulentas para maquiar a situação financeira da instituição.

Embora a nova operação trate especificamente da gestão do fundo previdenciário de Paulista, a PF afirma que os investimentos sob suspeita possuem conexão com os ativos investigados no escândalo do Banco Master.

Escândalo já teve oito fases

A Operação Compliance Zero já se tornou uma das maiores investigações financeiras do país. Desde novembro de 2025, a ofensiva da PF avançou sobre executivos do banco, ex-dirigentes de instituições financeiras, políticos e agentes públicos.

Entre os alvos das fases anteriores estão:

  • O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master;
  • Ex-executivos da instituição financeira;
  • O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa;
  • O senador Ciro Nogueira (PP-PI);
  • O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL);
  • Servidores públicos suspeitos de vazamento de informações sigilosas.

Segundo a PF, os valores investigados ao longo das diferentes fases da operação ultrapassam bilhões de reais.

Próximos passos

Os materiais apreendidos nesta quarta-feira serão analisados para identificar a responsabilidade dos gestores envolvidos e rastrear o destino dos recursos aplicados.

A PF não descarta novas fases da investigação, que continua sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelos processos relacionados ao escândalo do Banco Master.

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