Israel desafia acordo entre EUA e Irã, ataca sul do Líbano e anuncia permanência militar por tempo indeterminado

Israel ignora trégua anunciada por Washington e mantém ofensiva no Líbano
Poucas horas após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, Israel realizou novos ataques no sul do Líbano e deixou claro que não pretende retirar suas tropas da região.
A posição foi confirmada pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que afirmou nesta segunda-feira (15) que as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão em áreas consideradas estratégicas no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza por tempo indeterminado.
A declaração representa o primeiro posicionamento oficial do governo israelense após a divulgação do entendimento mediado pelo Paquistão entre Washington e Teerã.
Ataques deixam feridos no sul do Líbano
Na manhã desta segunda-feira, um drone israelense atingiu um veículo na cidade de Kfar Tebnit, no sul do Líbano, deixando pessoas feridas.
Além do ataque aéreo, disparos de artilharia também atingiram áreas próximas, incluindo a localidade vizinha de Nabatieh al-Fawqa, segundo informações divulgadas pela agência estatal libanesa.
Até o momento, as Forças de Defesa de Israel não comentaram oficialmente os bombardeios.
Os ataques ocorreram justamente após o anúncio de que o acordo entre EUA e Irã prevê esforços para encerrar os confrontos envolvendo grupos aliados de Teerã, incluindo o Hezbollah libanês.
“Israel ficará no Líbano, na Síria e em Gaza”, diz ministro
Durante pronunciamento, Israel Katz afirmou que a retirada das tropas não está nos planos do governo de Benjamin Netanyahu.
“Netanyahu e eu lideramos uma política clara de que as forças de Israel permanecerão no Líbano, na Síria e em Gaza”, declarou.
Segundo o ministro, as chamadas “zonas de segurança” continuarão sob controle militar israelense, consideradas essenciais para impedir novos ataques contra o território israelense.
Katz afirmou ainda que o objetivo é eliminar toda a infraestrutura militar considerada hostil nessas regiões.
O ministro acrescentou que áreas utilizadas para operações armadas serão desocupadas e que estruturas identificadas como bases de ataque poderão ser demolidas.
Trump admite dificuldades com Netanyahu durante negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que enfrentou resistência do governo israelense durante as negociações que levaram ao acordo com o Irã.
Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump classificou Netanyahu como um “cara muito difícil” e afirmou que algumas ações militares israelenses quase comprometeram o entendimento diplomático.
Segundo o presidente americano, o acordo foi concluído apesar das objeções apresentadas por Israel.
A declaração evidencia divergências entre Washington e Tel Aviv sobre os rumos do pós-guerra no Oriente Médio.
Governo israelense envia recado aos EUA e ao Irã
Israel Katz afirmou que a posição de permanência militar já foi comunicada diretamente ao governo norte-americano.
De acordo com o ministro, Netanyahu tratou do assunto com Donald Trump, enquanto ele próprio repassou a mesma mensagem ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.
Katz também fez um alerta direto ao regime iraniano.
“Se o Irã atacar Israel por causa dos acontecimentos no Líbano, nós responderemos com toda a nossa força”, declarou.
Ministro israelense critica acordo e diz que país não seguirá imposições externas
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi ainda mais duro ao comentar o acordo.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que Israel não está obrigado a seguir decisões negociadas por outros países.
“O acordo de Trump não nos obriga. Israel não é subordinado aos Estados Unidos. Somos um país soberano e independente”, escreveu.
Ben-Gvir argumentou que a prioridade do governo deve ser exclusivamente a segurança dos cidadãos israelenses e criticou acordos anteriores firmados sob pressão internacional.
Segundo ele, concessões feitas no passado acabaram resultando em novos episódios de violência contra Israel.
Oposição também questiona condução do acordo
As críticas não partiram apenas da ala mais dura do governo.
O principal adversário político de Benjamin Netanyahu, Gadi Eisenkot, também demonstrou preocupação com os termos da trégua.
Ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, Eisenkot afirmou que o acordo está sendo construído “longe dos interesses de Israel”.
Ele ainda criticou a falta de transparência do governo e afirmou que os cidadãos israelenses estão tomando conhecimento dos detalhes do entendimento por meio de líderes estrangeiros e da imprensa internacional.
Futuro do acordo ainda é incerto
Embora Estados Unidos e Irã tenham anunciado um entendimento para encerrar o conflito, a continuidade das operações militares israelenses no Líbano demonstra que a implementação do acordo enfrenta obstáculos significativos.
Enquanto Washington celebra uma possível estabilização da região, Israel mantém sua estratégia de presença militar permanente em áreas consideradas fundamentais para sua segurança.
O cenário reforça as incertezas sobre a efetividade do pacto e aumenta as dúvidas sobre a possibilidade de uma paz duradoura no Oriente Médio.





