Mundo
Petróleo dispara após novos ataques entre EUA e Irã e ameaça ao Estreito de Ormuz
Tensão no Oriente Médio volta a pressionar o mercado global de energia. Irã fala em fechamento do Estreito de Ormuz, mas os Estados Unidos negam bloqueio da passagem estratégica.
O preço do petróleo voltou a disparar no mercado internacional após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã e diante da incerteza sobre a situação do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.
O barril do petróleo Brent, referência global, ultrapassou US$ 78, depois de já ter avançado 5,4% na semana anterior. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, era negociado perto de US$ 74. O gás natural europeu também subiu e chegou a registrar alta de até 2,7%.
A escalada ocorreu após o Irã afirmar que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado “até novo aviso”. A informação, no entanto, foi negada pelo Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, que afirmou ter iniciado novos ataques para garantir a liberdade de navegação na região.
Segundo os Estados Unidos, as ações militares foram uma resposta a ataques iranianos contra embarcações comerciais. As forças americanas afirmam ter atingido sistemas de defesa aérea, radares costeiros, estruturas ligadas a mísseis e drones, além de pequenas embarcações usadas pelo Irã.
O Estreito de Ormuz é considerado uma passagem estratégica para a economia mundial. Antes da atual escalada, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passavam pela região.
A tensão aumentou depois que a Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou ataques contra bases e instalações militares ligadas aos Estados Unidos em países do Golfo, incluindo Kuwait, Bahrein, Catar, Jordânia e Omã. O Exército do Kuwait informou que precisou responder a “objetos aéreos hostis” lançados contra seu território.
A imprensa estatal iraniana também relatou ataques americanos em áreas do sul e do oeste do Irã, incluindo regiões próximas a Bandar Abbas, à Ilha de Qeshm e ao Estreito de Ormuz. Autoridades locais informaram ao menos uma morte e feridos em um bombardeio na cidade de Mahshahr, no sudoeste do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo com o Irã “acabou”, após acusar Teerã de atacar navios comerciais. Apesar disso, Trump afirmou que Washington ainda estaria disposto a negociar.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que a “era dos acordos unilaterais acabou”. Teerã afirma que os Estados Unidos precisam cumprir compromissos anteriores sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz e a normalização das exportações de petróleo antes da retomada das conversas.
A nova escalada também reacendeu alertas sobre o risco de ampliação do conflito para outras áreas do Oriente Médio. No Iêmen, forças apoiadas pela Arábia Saudita atacaram o aeroporto de Sanaa, capital controlada pelos rebeldes houthis, aliados do Irã. O episódio elevou o temor de que a crise se espalhe também para o Mar Vermelho, outra rota vital para o comércio internacional.
Os houthis já provocaram forte impacto econômico em conflitos anteriores ao atacar navios no Mar Vermelho, o que obrigou empresas de transporte marítimo a buscar rotas alternativas e elevou o custo dos fretes.
Com a instabilidade no Estreito de Ormuz e o risco de tensão também no Mar Vermelho, analistas avaliam que o mercado de energia deve continuar pressionado. A preocupação central é que uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo e gás pela região possa afetar estoques globais, encarecer combustíveis e aumentar a pressão sobre a inflação em várias economias.
A Agência Internacional de Energia já havia alertado que a escalada no Oriente Médio pode comprometer os esforços de recomposição dos estoques globais de petróleo ao longo do ano.
O cenário segue incerto, com risco de novos ataques, impacto direto nos preços internacionais e preocupação crescente entre governos, investidores e empresas do setor de energia.
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