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Corinthians entra na rota das sanções dos EUA contra rede ligada ao PCC
O nome do Corinthians voltou ao centro de uma investigação de repercussão internacional após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, réu no Brasil por suspeita de lavagem de dinheiro no caso do contrato de patrocínio entre o clube paulista e a casa de apostas Vai de Bet.
Shimada foi incluído na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com uma rede financeira associada ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Segundo as autoridades americanas, ele teria atuado como elo entre operadores da facção na Flórida e traficantes internacionais, movimentando mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos por meio de operações financeiras e criptomoedas.
O elo com o caso Corinthians
Embora as sanções anunciadas pelos Estados Unidos estejam relacionadas a uma investigação sobre lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, o comunicado americano também cita uma suspeita envolvendo uma fraude publicitária ligada a um clube de futebol brasileiro.
Esse trecho faz referência ao caso do patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians, contrato firmado em 2024 e posteriormente investigado pelas autoridades brasileiras.
No Brasil, Shimada é acusado de atuar como operador financeiro em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos desviados do contrato de patrocínio.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o dinheiro teria passado por uma série de empresas até chegar a uma agência investigada por possível ligação com o crime organizado.
Corinthians é tratado como vítima
A investigação brasileira aponta o Corinthians como vítima do esquema.
Segundo as apurações, o prejuízo ao clube ultrapassa 40 milhões de reais, considerando valores desviados e os impactos financeiros da rescisão do contrato.
O clube nega qualquer relação direta com Victor Shimada e afirma que ele nunca prestou serviços nem foi funcionário da instituição.
Em nota, o Corinthians também ressaltou que as negociações com a Vai de Bet ocorreram durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo, destituído do cargo em 2025, e informou que atua como assistente de acusação no processo que apura os desvios.
Empresas de Shimada foram sancionadas
Além de Victor Shimada, os Estados Unidos também sancionaram Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e empresas ligadas ao empresário.
Entre elas está a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., apontada pelas autoridades americanas como parte da estrutura usada para movimentar e ocultar recursos.
Também foram citadas outras empresas brasileiras e uma companhia portuguesa, que, segundo o governo americano, seriam controladas direta ou indiretamente por Shimada.
O que significam as sanções
Com a inclusão na lista do Departamento do Tesouro, eventuais bens dos sancionados localizados nos Estados Unidos ficam bloqueados.
Além disso, cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar transações com os alvos da medida.
Instituições financeiras estrangeiras que mantenham relações relevantes com os sancionados também podem ficar sujeitas a punições secundárias.
Casos são diferentes
Apesar de haver conexão pelo nome de Victor Shimada e pela empresa Victory Trading, as acusações feitas pelo governo americano e a investigação brasileira sobre o Corinthians não são exatamente o mesmo caso.
Nos Estados Unidos, a apuração trata de uma suposta rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
No Brasil, o processo envolvendo o Corinthians apura suspeitas de fraude publicitária, lavagem de dinheiro e desvio de recursos relacionados ao contrato com a Vai de Bet.
Até o momento, não há condenação definitiva de Shimada no caso brasileiro. As acusações seguem em tramitação na Justiça, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
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