Cidades
Artesã denuncia envenenamento com mercúrio no Recife e vídeo mostra aluna colocando substância em garrafa
Laudos confirmaram presença de mercúrio na água e no sangue da vítima, que relata sequelas neurológicas e motoras. Caso é investigado pela Polícia Civil há mais de um ano.
A artesã Denny Cardoso denunciou ter sido envenenada com mercúrio durante meses enquanto trabalhava em um projeto social no Recife. Segundo ela, uma aluna colocava a substância dentro de sua garrafa de água.
O caso ganhou força após a própria vítima gravar imagens que mostram a suspeita mexendo no recipiente e despejando uma substância na água. Laudos periciais confirmaram a presença de mercúrio tanto na garrafa quanto no organismo da artesã.
Denny trabalhava havia mais de dez anos no projeto Arte na Medicina, que funciona em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. Segundo a vítima, os sintomas de intoxicação começaram no segundo semestre de 2024.
A artesã afirma que passou a desconfiar do envenenamento depois de flagrar a suspeita mexendo em sua garrafa. Em uma das situações, a mulher teria disfarçado e dito que apenas estava mudando o recipiente de lugar.
Depois disso, Denny comprou uma garrafa idêntica, deixou um celular escondido gravando e conseguiu registrar, em duas ocasiões, a suspeita colocando uma substância na água. Após uma das gravações, a Polícia Militar foi acionada, e as duas mulheres foram levadas para a Central de Plantões da Capital.
De acordo com o boletim de ocorrência, a suspeita negou ter envenenado a água. Ainda segundo o registro, policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela.
A mulher apontada pela vítima como suspeita é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, que frequentava o projeto como acompanhante do filho. A defesa dela não foi localizada.
Os exames realizados no caso apontaram concentração de mercúrio no sangue da artesã. Um laudo pericial também confirmou a presença do metal na água da garrafa. Segundo a médica responsável pelo laudo toxicológico, a quantidade encontrada indica possível ingestão da substância por um período estimado entre oito meses e um ano.
A vítima afirma que continua em tratamento e relata sequelas neurológicas e motoras, além de dores e dificuldades de coordenação. Ela aguarda atendimento com neurocirurgião pelo Sistema Único de Saúde para dar continuidade à avaliação médica e produzir um laudo solicitado pela investigação.
O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. Segundo a vítima e o advogado dela, os laudos periciais já foram concluídos, mas o inquérito ainda não foi finalizado.
Procurada, a Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento e que não pode divulgar mais detalhes para não comprometer as diligências.
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