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Técnicas de enfermagem denunciam abusos em hospitais do Recife

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Casos envolvem servidores dos hospitais da Restauração e Getúlio Vargas, que foram afastados preventivamente pelo governo de Pernambuco

Duas técnicas de enfermagem denunciaram abusos sexuais ocorridos em dois hospitais públicos do Recife. Segundo a defesa das vítimas, os casos aconteceram no Hospital da Restauração, no Derby, e no Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro, e envolveram servidores que também trabalham como técnicos de enfermagem.

O advogado Jefferson Neves, que representa as duas mulheres, afirmou que os episódios ocorreram em áreas de repouso destinadas aos funcionários. Os nomes das vítimas e dos servidores denunciados não foram divulgados.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que afastou preventivamente os dois servidores e abriu Processos Administrativos Disciplinares para apurar os casos. A pasta também declarou que repudia qualquer forma de violência e afirmou que os hospitais reforçaram ações de orientação e os canais internos de denúncia.

Além das duas denúncias já formalizadas, outras quatro mulheres procuraram o escritório responsável pela defesa das vítimas, segundo o advogado. No entanto, elas ainda não apresentaram denúncias formais porque temem possíveis consequências no trabalho.

Um dos casos ocorreu no Hospital da Restauração em 2024. Em julho deste ano, a Justiça condenou em segunda instância o técnico de enfermagem denunciado pelo crime de estupro, segundo a defesa. A decisão prevê regime semiaberto e indenização de R$ 10 mil, mas ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça.

Na esfera administrativa, a Secretaria Estadual de Saúde também abriu um processo para analisar a conduta do servidor. A defesa, porém, afirma que o procedimento ainda não chegou a uma conclusão.

Segundo caso ocorreu no Hospital Getúlio Vargas

Hospital Getúlio Vargas - Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco

Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, no Recife – Fonte: Reprodução

A segunda denúncia envolve o Hospital Getúlio Vargas e se refere a um episódio registrado em março deste ano. De acordo com o advogado, a vítima descansava durante o plantão quando um servidor teria praticado o abuso. Ela reagiu, pediu ajuda e outras pessoas chegaram ao local.

A vítima registrou o caso na Delegacia do Cordeiro, e a Polícia Civil ouviu testemunhas durante a investigação. Segundo a defesa, o inquérito ainda não foi concluído nem encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco.

O advogado também afirma que a profissional passou a fazer acompanhamento psicológico após o episódio. Segundo ele, a vítima ainda demonstra medo ao encontrar o servidor investigado fora do ambiente de trabalho.

A Secretaria Estadual de Saúde afastou esse servidor preventivamente por 30 dias por meio de portaria publicada em 16 de julho. O governo estadual informou, no entanto, que abriu procedimentos administrativos relacionados aos dois casos e que eles continuam em tramitação.

Segundo a SES, os hospitais da Restauração e Getúlio Vargas possuem áreas de repouso separadas por gênero. A defesa das vítimas afirma, porém, que o número de vagas nesses espaços não atende todos os profissionais durante os plantões, o que levaria alguns funcionários a utilizar áreas compartilhadas ou outros locais de descanso.

As administrações das duas unidades também reforçaram campanhas internas de combate à violência contra a mulher e os canais disponíveis para denúncias. A Secretaria de Saúde não informou, até a divulgação original do caso, os prazos para conclusão dos processos administrativos nem a fase de cada apuração.


Com informações do g1

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