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Moraes editou contrato da esposa com Banco Master, diz apuração

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Alexandre de Moraes ao lado da esposa, Viviane Barci de Moraes.

Metadados atribuem ao ministro alteração em documento de R$ 131 milhões; escritório afirma que análise tratou de possíveis impedimentos legais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acessou e editou uma versão do contrato firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. Segundo informações obtidas pelo Estadão, metadados do documento registraram alterações feitas por um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao arquivo e realizou alterações. Entretanto, a banca afirmou que o procedimento ocorreu após o setor de compliance pedir informações sobre eventuais impedimentos legais envolvendo a contratação pelo banco de Daniel Vorcaro.

Segundo o escritório, Alexandre de Moraes nunca julgou causa envolvendo o Banco Master e não havia previsão de atuação da banca em processos no STF relacionados à instituição. Dessa forma, a defesa da contratação sustenta que não existia impedimento legal para o acordo.

O contrato previa pagamentos que poderiam alcançar R$ 131,27 milhões em valores brutos. O documento estabelecia 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, enquanto cada parcela chegaria a aproximadamente R$ 3,65 milhões com a incidência dos tributos previstos no contrato.

Metadados indicam alteração no documento

Viviane Barci

Viviane Barci de Moraes participou das tratativas do contrato firmado entre seu escritório e o Banco Master – Foto: Reprodução

Viviane Barci de Moraes enviou uma minuta do contrato diretamente a Daniel Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, o banqueiro devolveu o documento com uma alteração e pediu que o escritório avaliasse a mudança.

De acordo com os metadados analisados, o arquivo retornado por Vorcaro passou pelo sistema Office 365 usado pelo ministro. O registro atribui uma edição ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes” às 23h04 do dia 15 de janeiro de 2024, cerca de uma hora e 40 minutos depois de o banqueiro devolver o documento.

Na versão analisada, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório, aparece como autor original do arquivo. Dois dias depois, em 17 de janeiro, Viviane encaminhou ao banqueiro a versão final da minuta.

As conversas extraídas do celular de Vorcaro também mostram tratativas sobre a assinatura do acordo. Em uma das mensagens, Viviane pediu que as vias físicas fossem enviadas em “envelope lacrado e confidencial”. Posteriormente, as partes também discutiram a assinatura eletrônica do documento.

O contrato foi assinado por Vorcaro em 23 de janeiro de 2024. Além disso, registros citados pela reportagem mostram que Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança do banqueiro, enviou ao empresário uma versão assinada.

Pagamentos chegaram a R$ 80 milhões, segundo documentos

Documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam que o escritório recebeu R$ 80.223.653,84 do Banco Master entre 2024 e 2025. Segundo o material, a instituição realizou 22 pagamentos de aproximadamente R$ 3,65 milhões durante o período.

O escritório, porém, contestou as informações quando elas vieram a público. Em manifestação anterior, afirmou não confirmar dados que classificou como incorretos e obtidos a partir de vazamento de informações fiscais sigilosas.

Os pagamentos terminaram após a prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira.

As mensagens e os documentos fazem parte do material extraído do celular de Vorcaro, apreendido durante a investigação. Até o momento, o conteúdo apresentado não aponta, por si só, que a edição do contrato pelo ministro tenha configurado irregularidade.

Em nota, o Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance consultou Alexandre de Moraes na condição de marido da sócia-diretora para verificar possíveis conflitos. Segundo o escritório, como o ministro não atuava em causas envolvendo o Banco Master, a banca formalizou o contrato e prestou os serviços advocatícios previstos.


Com informações do Estadão

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