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Banco Central liquida Trustee e Banvox, ligadas ao Master

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Sede do Banco Central em Brasília

Instituições pertencem a Maurício Quadrado, foram alvos da Operação Carbono Oculto e tiveram bens de controladores e ex-administradores indisponibilizados.

O Banco Central decretou nesta quinta-feira (3) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. As duas instituições são ligadas ao empresário Maurício Quadrado, que foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master entre 2020 e 2024.

Segundo o Banco Central, “graves violações às normas legais” que regulam as atividades das instituições motivaram a medida. Além disso, a decisão tornou indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores das duas empresas.

O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, assinou o ato. Ele substitui temporariamente o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que está em viagem a Basileia, na Suíça.

As duas distribuidoras têm sede em São Paulo, e a liquidante Marilena Simões Valentim assumirá a condução dos processos. De acordo com a autoridade monetária, Trustee e Banvox fazem parte de um conglomerado prudencial enquadrado no segmento S4, o nível mais baixo da classificação prudencial.

Nesse contexto, o BC afirmou que as empresas tinham baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional. Em julho deste ano, juntas, elas respondiam por menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro e por 0,76% do volume de recursos de terceiros sob administração.

Além disso, o Banco Central informou que continuará apurando eventuais responsabilidades relacionadas às atividades das instituições. Com isso, as apurações administrativas poderão resultar em sanções e também em comunicações a outras autoridades competentes.

Empresas foram alvo da Operação Carbono Oculto

Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master

Maurício Quadrado foi sócio do Banco Master entre 2020 e 2024 e é ligado à Trustee e à Banvox, liquidadas pelo Banco Central – Foto: Reprodução

A Trustee e a Banvox já haviam entrado no radar das autoridades em setembro de 2025, durante a Operação Carbono Oculto. A investigação apurou a suposta infiltração do crime organizado na economia formal por meio de empresas do setor de combustíveis, fintechs e fundos de investimento.

As duas instituições estavam ligadas a Maurício Quadrado, empresário que integrou o quadro societário do Banco Master entre 2020 e 2024. Antes disso, investigações relacionadas às operações Sépsis e Cui Bono levaram ao bloqueio de contas de Quadrado na Suíça por suspeitas envolvendo pagamento de propina.

Ainda assim, o Banco Central autorizou Quadrado a ingressar na sociedade do Banco Master enquanto ele mantinha ativos financeiros no exterior indisponíveis entre 2018 e 2022. A defesa afirmou anteriormente que o empresário desconhecia a existência de uma investigação policial por corrupção naquele período, embora uma conta no exterior pertencente a um truste patrimonial estivesse bloqueada.

Banvox ampliou patrimônio administrado

A Banvox foi fundada em 1984 e recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para administrar carteiras de investimentos em 1991. A partir de 2016, no entanto, a empresa passou a concentrar sua atuação na administração e custódia de fundos.

Entre dezembro de 2021 e julho de 2024, o patrimônio líquido administrado pela instituição subiu de R$ 10 bilhões para R$ 67,3 bilhões. Ao mesmo tempo, o número de fundos administrados passou de 345 para 408.

Além disso, a Banvox administrou ao menos um fundo citado nas apurações da Operação Carbono Oculto. O fundo imobiliário Los Angeles 1, posteriormente rebatizado de Lucerna, teria mantido fluxos financeiros com a instituição de pagamentos BK Bank.

Segundo os investigadores, a BK Bank teria sido utilizada para remessas e recebimentos de recursos de um grupo criminoso. Entretanto, na época da operação, a Banvox afirmou que sua área de compliance já havia orientado a renúncia à administração do fundo antes da deflagração das investigações.

A empresa também declarou que não mantinha relação pessoal com os cotistas do fundo investigado.


Com informações do ESTADÃO

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