Economia
União Europeia suspende importações de carnes e outros produtos do Brasil
Embargo começa nesta quinta-feira e atinge carne bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos; retomada da carne bovina pode levar ao menos dois anos
A União Europeia passou a suspender, nesta quinta-feira (3), as importações de produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio alcança carne bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos destinados aos 27 países do bloco.
A União Europeia anunciou a medida depois de retirar o Brasil da lista de países considerados adequados às regras sobre antimicrobianos. Segundo o bloco, o sistema brasileiro ainda não oferece controles suficientes para comprovar o cumprimento dessas exigências.

Gráfico mostra os principais produtos de origem animal exportados pelo Brasil para a União Europeia em 2025 – Fonte: Agrostat – Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa)/Arte: Redação
O embargo, porém, não decorre da identificação de irregularidades específicas na carne brasileira. A União Europeia concentrou sua avaliação nos mecanismos usados pelo Brasil para controlar o uso de medicamentos antimicrobianos na cadeia produtiva.
O bloco europeu proíbe o uso dessas substâncias como promotores de crescimento dos animais. Além disso, restringe na pecuária determinados antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. Essas normas fazem parte das exigências sanitárias aplicadas aos fornecedores externos.
Auditoria pode abrir caminho para retomada das vendas
Enquanto o embargo entra em vigor, técnicos europeus realizam uma auditoria no Brasil nas cadeias de frango e mel. A equipe deve concluir a inspeção até sexta-feira (4). Depois disso, a União Europeia ainda precisará analisar os dados, processo que pode levar cerca de dois meses.
No caso do frango, representantes do setor esperam retomar as exportações ainda em 2026. Antes disso, porém, o Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações deverá avaliar o resultado da auditoria. O órgão da Comissão Europeia tem reunião prevista para novembro.
O cenário da carne bovina é mais complexo. Mesmo com uma eventual reversão do bloqueio, o Brasil não conseguiria retomar imediatamente as exportações dentro das novas regras. Segundo estimativas do setor, esse processo levaria pelo menos dois anos.
Isso ocorre porque o novo protocolo exige o rastreamento dos animais durante todo o ciclo de produção. Dessa forma, os produtores precisam comprovar o cumprimento das regras sobre antimicrobianos desde o nascimento até o abate. Um bovino pode levar entre 24 e 36 meses para completar esse ciclo.
No setor de frango, por outro lado, o ciclo produtivo é muito menor. O período entre nascimento e abate gira em torno de 45 dias. Por isso, o setor avícola considera possível retomar as exportações para a União Europeia ainda neste ano.
Brasil adotou novas regras de controle
O governo brasileiro tenta adequar os controles desde antes da entrada em vigor do embargo. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proibiu alguns antimicrobianos. Entre eles estão avoparcina, virginiamicina e bacitracina.
No mês seguinte, o governo propôs à União Europeia um período de transição para adaptação às novas exigências. O bloco, no entanto, recusou a proposta. Em junho, o Brasil anunciou um novo protocolo de controle para reforçar o rastreamento dos animais.
Pelas novas regras, o acompanhamento ocorre desde o nascimento até o abate. Assim, os produtores precisam demonstrar que não utilizaram os antimicrobianos vetados durante o ciclo produtivo.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, todas as empresas associadas e habilitadas já aderiram ao protocolo. Mesmo assim, a União Europeia ainda mantém a suspensão das importações brasileiras.
Representantes do agronegócio também questionam o momento da decisão e enxergam possível caráter protecionista na medida. Isso porque a suspensão surgiu pouco depois da entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
O tratado enfrentou forte resistência de agricultores europeus. Eles temem, sobretudo, a concorrência dos produtos sul-americanos mais baratos. O Brasil é o principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.
Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a vender produtos ao mercado europeu. Na Itália, por exemplo, uma das principais entidades de agricultores apoiou o bloqueio aos produtos brasileiros. A organização também defendeu condições comerciais iguais para produtores europeus e estrangeiros.
Carne bovina tem mercado estratégico na Europa

Fonte: Agrostat – Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa)/Arte: Redação
Embora a União Europeia represente apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, a Abiec considera o bloco um destino estratégico. O mercado europeu compra cortes nobres e produtos de maior valor agregado. Por isso, o setor considera difícil substituir esse comprador de forma automática.
A entidade afirma que o Brasil continuará enviando carne aos mercados nos quais possui autorização para vender. Entretanto, cada destino procura tipos e cortes diferentes. Dessa forma, a prioridade é restabelecer o comércio com a União Europeia no menor prazo possível.
No setor de frango, a situação é diferente, pois o Brasil já vende o produto para cerca de 150 países. Caso o embargo europeu se prolongue, parte da produção poderá seguir para outros destinos. Além disso, o mercado interno também pode absorver parte desses volumes.

Maiores compradores de carne de frango do Brasil em 2025.
Fonte: Agrostat (Mapa)/Arte: Redação
Mel também é afetado pelo embargo

Cinco maiores compradores de mel brasileiro em 2025 – Fonte: Agrostat (MAPA)/Arte: Redação
O bloqueio também atinge o mel brasileiro em um momento de expansão das vendas para a Europa. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, as exportações ao bloco dobraram no primeiro semestre de 2026. O valor chegou a US$ 6,3 milhões.
Parte desse crescimento ocorreu depois das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos. Como resultado, as vendas ao mercado norte-americano ficaram mais caras. Com isso, produtores brasileiros passaram a direcionar uma parcela maior das exportações para países europeus.
A associação afirma que não espera problemas significativos de contaminação no mel enviado pelo Brasil. Isso porque grande parte da produção exportada é orgânica e passa por sistemas de certificação. Ainda assim, o setor reconhece a necessidade de reforçar os controles.
Um dos riscos é a chamada contaminação cruzada. Ela pode ocorrer, por exemplo, quando colmeias ficam próximas de áreas de criação de animais. Por isso, o setor considera importante manter mecanismos de fiscalização e prevenção.
Produtores e exportadores agora aguardam os resultados das auditorias e das negociações entre Brasil e União Europeia. Enquanto o bloco não rever a decisão, o embargo continuará impedindo essas exportações para os 27 países europeus.
Com informações do g1
-
Cidades3 semanas atrásVídeo mostra motociclista e passageira sendo arremessados em acidente em Jaboatão
-
Geral3 semanas atrásVídeo mostra PMs pressionando pescoço de homem durante abordagem em Belo Jardim
-
Notícias2 semanas atrás🔥 DISPUTA ACIRRADA: Datafolha mostra Raquel Lyra na liderança com 47% e João Campos com 40% em Pernambuco
-
Notícias3 semanas atrásCASSAÇÃO À VISTA? Conselho de Ética avança com processo contra Erika Hilton por uso de termo polêmico
-
Notícias1 semana atrásQuaest: Marília lidera disputa ao Senado em Pernambuco
-
Entretenimento4 semanas atrásAlex Escobar retira tumor após passar mal durante a Copa do Mundo
-
Geral3 semanas atrásHomem é morto a tiros diante do filho de 12 anos na Zona Norte do Recife
-
Notícias3 semanas atrásCasal é morto a tiros após casa ser invadida em Vitória de Santo Antão
