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Operação Alvitre mira cúpula da Câmara de Ipojuca e apura milhões em emendas

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Polícia Civil cumpre mandados durante nova fase da Operação Alvitre em Ipojuca

Presidente e vice-presidente da Casa aparecem entre investigados; polícia apura direcionamento de verbas, notas fiscais falsas e movimentações milionárias

A terceira fase da Operação Alvitre colocou novamente a Câmara Municipal de Ipojuca, no Grande Recife, no centro de uma investigação sobre o possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A Polícia Civil de Pernambuco cumpriu nesta quinta-feira (3) mandados de busca e apreensão e avançou sobre vereadores, assessores e outros investigados ligados ao suposto esquema.

Entre os nomes citados nas apurações estão o atual presidente da Câmara, Irmão Genival (PSD), e o vice-presidente, Gilmar Costa (Republicanos). No entanto, as informações divulgadas pelas fontes consultadas apresentam diferenças sobre o alcance dos mandados nesta etapa: enquanto uma reportagem aponta os dois como alvos da operação, outra informa que, entre os vereadores, apenas Gilmar Costa teve endereços e gabinete diretamente atingidos pelas buscas.

Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Nesta fase, ninguém foi preso. A Justiça também autorizou bloqueio de ativos financeiros e sequestro de bens.

A investigação apura o direcionamento de emendas parlamentares para associações e entidades que, segundo a polícia, teriam sido usadas para movimentar recursos públicos de forma irregular. O delegado Ney Luiz Rodrigues afirmou que parlamentares, assessores, advogados, empresários e uma contadora teriam atuado de maneira coordenada.

Segundo o delegado, os envolvidos se reuniriam previamente para definir contratos e direcionar valores a determinadas entidades.

Movimentação milionária chama atenção da polícia

Um dos principais focos desta fase é o gabinete de Gilmar Costa. De acordo com a investigação, uma mulher ligada ao gabinete teria movimentado aproximadamente R$ 16,7 milhões, valor considerado incompatível e que agora está sob análise dos investigadores.

A Polícia Civil ainda apura a origem e o destino desse dinheiro e não afirma, até o momento, que toda a quantia tenha relação direta com recursos desviados.

Gilmar Costa informou, em nota, que está tranquilo e à disposição das autoridades. O vereador afirmou que sempre exerceu suas funções com responsabilidade e transparência e disse confiar que a investigação esclarecerá os fatos.

Outro ponto central da apuração envolve a Associação Cultural Social e Recreativa Mudart. A entidade era presidida por Simone Marques da Silva, assassinada em outubro de 2025, poucas horas depois de comparecer a uma delegacia para prestar depoimento sobre o caso.

A Polícia Civil afirma que Simone integrava o esquema investigado e que parte dos recursos teria retornado para ela, além de advogados, uma contadora e uma funcionária ligada ao gabinete de Gilmar.

Notas fiscais falsas entram na investigação

Segundo a Polícia Civil, a Mudart recebeu mais de R$ 1,2 milhão em recursos públicos entre 2017 e 2024. Parte dos valores teria sido destinada a projetos culturais e sociais.

Entre os documentos analisados aparecem notas fiscais que somam R$ 480 mil em nome da empresa M. A. da Silva Festas. Investigadores foram até o endereço indicado nos documentos, em Paulista, e encontraram um restaurante.

De acordo com o delegado, a responsável pelo local disse desconhecer os serviços descritos nas notas.

A contadora apontada como responsável pela emissão dos documentos foi chamada para prestar esclarecimentos. Segundo a polícia, ela admitiu ter produzido notas fiscais falsas a pedido de Simone e afirmou ter recebido valores em troca.

Apesar desses indícios, a Polícia Civil ressalta que ainda investiga o destino dos recursos e não afirma que todo o dinheiro repassado às entidades tenha sido desviado.

Valores investigados variam conforme a fase da operação

Os números associados à Operação Alvitre envolvem diferentes frentes de investigação e, por isso, não devem ser tratados como um único valor.

Uma das apurações menciona cerca de R$ 27 milhões em possíveis desvios relacionados a emendas parlamentares.

Já a primeira fase da operação investigou aproximadamente R$ 39 milhões repassados ao Instituto de Gestão em Políticas Públicas do Nordeste (IGPN), entidade que, segundo a Polícia Civil, não teria estrutura compatível com os serviços contratados.

Além disso, nesta terceira fase, a Justiça determinou bloqueio de aproximadamente R$ 1,2 milhão em ativos financeiros.

A polícia também identificou a movimentação de cerca de R$ 16,7 milhões atribuída a uma mulher ligada ao gabinete de Gilmar Costa. Esse valor permanece sob investigação e ainda não foi classificado integralmente como recurso desviado.

Morte de Simone ampliou as apurações

Simone Marques havia sido chamada para depor durante a primeira fase da Operação Alvitre. Ela compareceu à delegacia, mas não chegou a prestar depoimento naquele momento porque o delegado estava envolvido em outro procedimento.

A oitiva foi remarcada para o dia seguinte. Antes disso, porém, Simone foi assassinada a tiros.

Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, o homicídio levou os investigadores a aprofundar a análise sobre a Mudart e sobre a circulação de recursos entre pessoas ligadas à associação.

A autoria e a motivação da morte de Simone integram uma investigação própria e não há, nas informações disponíveis, conclusão oficial estabelecendo relação direta entre o homicídio e o esquema investigado.

Operação já prendeu antigos dirigentes da Câmara

A Operação Alvitre começou em outubro de 2025. Na primeira fase, a Polícia Civil investigou repasses de emendas para instituições que, segundo os investigadores, não teriam capacidade técnica e operacional compatível com os serviços contratados.

Em novembro do mesmo ano, a segunda fase atingiu diretamente a direção da Câmara de Ipojuca. Na ocasião, foram presos Flávio do Cartório (PSD), então presidente da Casa, e Professor Eduardo (PSD), então vice-presidente.

Os dois deixaram a mesa diretora. Posteriormente, Irmão Genival assumiu a presidência da Câmara.

A investigação continua para identificar o destino dos recursos, a participação de outras associações e a responsabilidade individual de cada investigado. Não há, nesta fase, condenação dos vereadores citados.

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