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Lobista diz que Lulinha se reunia com ministros e anuncia delação; Planalto rebate acusações

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Roberta Luchsinger durante entrevista em que fez acusações envolvendo Lulinha e integrantes do governo

Roberta Luchsinger afirma que filho de Lula tinha acesso frequente a integrantes do governo e promete colaborar com a PF; Presidência diz desconhecer relatos

A lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada e declarou que não pretende poupar o presidente Lula nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em seus relatos às autoridades.

Em entrevista à CNN Brasil, Luchsinger disse que Lulinha teria mantido encontros frequentes com ministros do governo federal e que ela própria presenciou parte dessas reuniões. A Presidência da República nega que Lula tenha mantido interlocução com a lobista e afirma que o presidente desconhece os fatos relatados por ela.

Roberta e Lulinha são investigados pela Polícia Federal em uma apuração sobre possível tráfico de influência. A defesa do filho do presidente ainda não havia se manifestado no material consultado.

Lobista diz que fará delação premiada

Durante a entrevista, Roberta afirmou que pretende colaborar com as investigações e buscar um acordo de delação.

Segundo ela, parte do material que pretende apresentar já estaria incorporada ao processo, enquanto outros elementos não poderiam ser detalhados publicamente por causa de medidas cautelares impostas pela Justiça.

A manifestação ocorre depois de Lula ter chamado Roberta de “pilantra” em entrevistas e comparado a empresária a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A lobista reagiu às declarações e fez duras críticas pessoais ao presidente. Essas manifestações representam a versão e a opinião de Roberta sobre o episódio e não constituem conclusões da investigação.

Roberta afirma que Lulinha encontrava ministros

Um dos principais pontos da entrevista envolve a relação de Lulinha com integrantes do governo federal.

Roberta afirmou que o filho do presidente se encontrava “inúmeras vezes” com ministros e contestou declarações de Lula sobre o grau de acesso do filho a autoridades da administração federal. Texto colado(20261018-095827)

Ela disse ainda que chegou a dividir uma residência com Lulinha no Lago Sul, em Brasília, e relatou que ministros frequentavam o imóvel.

Entre os nomes citados por Roberta estão o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações, e Leonardo Barchini, ligado à Educação. A lobista também afirmou que algumas autoridades recorriam a ela para tentar conseguir agendas com o presidente.

O Ministério das Comunicações negou qualquer intermediação desse tipo. Em nota, a pasta afirmou que os contatos para compromissos no Palácio do Planalto sempre ocorreram pelos canais institucionais e negou tratativas com Roberta ou Lulinha para acesso à agenda presidencial.

Lobista cita suposta intermediação de contratos

Roberta também afirmou que Lulinha teria participado da intermediação de negócios envolvendo a Empresa Construtora Brasil (ECB), do Grupo Mota-Engil, com o governo federal.

Segundo a versão apresentada por ela, os contratos alcançariam aproximadamente R$ 2 bilhões. Como argumento para sustentar a proximidade, Roberta citou a relação de amizade entre Lulinha e Amauri Pinha, presidente da construtora. Texto colado(20261018-095827)

O material apresentado, porém, não demonstra por si só que os contratos tenham sido obtidos irregularmente nem estabelece eventual benefício recebido por Lulinha. Essas alegações ainda dependem de apuração e comprovação pelas autoridades competentes.

Mais de 40 visitas a órgãos federais

Segundo as investigações citadas pela reportagem, Roberta realizou mais de 40 visitas a órgãos do governo federaldesde o início do terceiro mandato de Lula.

A apuração indica que ela utilizava contatos com pessoas próximas ao governo para tentar viabilizar negócios de clientes. O governo, porém, nega que essas reuniões tenham resultado em contratos obtidos por influência da lobista.

Roberta também é investigada por sua relação com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado em investigações como um dos personagens de um esquema envolvendo benefícios previdenciários. Ela nega participação em irregularidades.

Planalto nega relatos e questiona momento da entrevista

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que Lula “desconhece inteiramente” os fatos narrados por Roberta e reiterou que o presidente nunca manteve interlocução com ela, não recebeu suas demandas e não possui conhecimento das supostas tratativas mencionadas.

O governo também afirmou que não existe contrato do Executivo federal com Roberta Luchsinger.

A Presidência ainda questionou o momento da divulgação das acusações, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, e classificou como irresponsável a apresentação de denúncias sem comprovação durante o período eleitoral.

As declarações de Roberta permanecem sob escrutínio das investigações. Até que eventuais provas sejam analisadas e haja conclusão das autoridades, as acusações devem ser tratadas como alegações da lobista, e não como fatos comprovados.

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