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Trump ajuda Flávio a entrar nos EUA, mas não pretende reconhecê-lo como líder do Brasil, diz Reuters

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Governo americano autorizou entrada do senador e da família, mas evita endossar contestação à vitória de Lula e tenta não ampliar tensão com Brasília

O governo de Donald Trump não pretende, neste momento, apoiar a alegação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que seria o “líder legítimo” do Brasil. A informação foi publicada nesta sexta-feira (30) pela Reuters, com base no relato de uma autoridade norte-americana e de outra pessoa familiarizada com o assunto.

A posição chama atenção porque a própria administração Trump ajudou Flávio e sua família a entrar nos Estados Unidos depois que o senador deixou o Brasil após a derrota no segundo turno da eleição presidencial.

Segundo as fontes, Trump não tem planos atuais de respaldar as ambições políticas de Flávio, embora essa posição possa mudar no futuro. A avaliação dentro do governo americano seria de que um apoio explícito poderia provocar uma nova crise diplomática com o Brasil.

Trump questionou eleição, mas não apoiou Flávio

Trump fez críticas à condução da eleição brasileira e disse que o processo lhe pareceu “manipulado”, sem apresentar provas. Ao mesmo tempo, ressaltou que não havia endossado nenhum candidato na disputa presidencial.

O republicano também afirmou manter uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu o segundo turno por cerca de 3,5 pontos percentuais.

Mesmo depois da eleição, Trump evitou atacar diretamente Lula e declarou que se dá bem com o presidente brasileiro.

Flávio se declarou “presidente eleito” e depois mudou texto

Depois de chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta na qual inicialmente se autoproclamava “presidente eleito” do Brasil.

Pouco depois, o texto foi apagado e substituído por uma nova versão, em que o senador passou a se definir como “líder” legítimo do país.

A declaração também não conseguiu apoio relevante entre integrantes de seu próprio campo político.

Segundo outra reportagem da Reuters, figuras importantes da direita brasileira evitaram endossar a reivindicação de Flávio, aumentando seu isolamento político após a saída do país.

Governo americano ajudou na entrada de Flávio

Apesar de não pretender reconhecer sua reivindicação política, autoridades americanas participaram dos procedimentos para permitir a entrada de Flávio e de sua família.

Segundo a Reuters, o senador manteve contato com autoridades dos Estados Unidos durante a viagem. O secretário de Estado Marco Rubio teria recomendado a Trump que a entrada fosse autorizada.

A família recebeu parole humanitária, um mecanismo temporário utilizado pelos Estados Unidos para permitir a entrada de pessoas em situações consideradas de urgência humanitária ou de significativo interesse público.

Flávio, a mulher e as duas filhas passaram pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami.

Saída do Brasil ocorreu após ordem sobre passaporte

A viagem aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse seu passaporte à Polícia Federal.

O senador é investigado em procedimentos que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e nega irregularidades.

O pedido da Polícia Federal foi apresentado pouco depois da confirmação da vitória de Lula, sequência que integrantes da direita classificaram como politicamente suspeita. Já apoiadores do governo lembram que, antes da eleição, Eduardo Bolsonaro havia defendido publicamente que o irmão deixasse o país caso fosse derrotado.

Fontes dizem que saída reduziu capital político

Uma terceira autoridade norte-americana ouvida pela Reuters avaliou que Flávio perdeu capital político ao deixar o Brasil e entrar em uma situação de autoexílio.

Parte dos conservadores esperava que o senador assumisse a liderança da oposição no Congresso depois da eleição e criticou a decisão de sair do país.

Autoridades brasileiras ouvidas sob anonimato pela agência também avaliam que a saída de Flávio pode beneficiar Lula ao enfraquecer a organização da oposição conservadora no Congresso. Essa é uma análise política das fontes, e não um fato consolidado.

Washington evita ampliar crise com Brasília

A postura de Trump indica uma tentativa de equilibrar dois movimentos: manter proximidade com a família Bolsonaro e, ao mesmo tempo, evitar um rompimento maior com o governo brasileiro.

A relação entre Brasil e Estados Unidos passou por momentos de forte tensão nos últimos meses, mas também registrou aproximação entre Trump e Lula.

Nesse cenário, reconhecer Flávio como líder legítimo do Brasil colocaria Washington diretamente em confronto com o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral e com o governo brasileiro.

Por enquanto, segundo a Reuters, Trump não pretende dar esse passo.

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