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Trump descarta encontro com Flávio, mas diz que senador pode ficar nos EUA “o tempo que quiser”

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Presidente americano afirma não ter planos de receber Flávio Bolsonaro, critica tratamento dado ao senador e volta a questionar eleição brasileira sem apresentar provas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que não tem planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está no país desde quarta-feira (28), após deixar o Brasil depois da derrota na eleição presidencial.

Questionado por jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump foi direto ao dizer que não pretende receber o senador neste momento. Apesar disso, voltou a demonstrar solidariedade política ao brasileiro.

“Sem planos de encontrá-lo”, afirmou. Em seguida, disse considerar que Flávio foi tratado de maneira “muito injusta” e acrescentou que ele “pode ficar aqui o tempo que quiser”. Trump também voltou a atacar o processo eleitoral brasileiro, classificando a eleição como uma “desgraça”, sem apresentar provas de fraude.

Trump mantém apoio, mas evita encontro

A declaração reforça uma postura ambígua do governo americano em relação a Flávio.

De um lado, Trump autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos e já fez críticas públicas à eleição brasileira. De outro, não anunciou qualquer reconhecimento de Flávio como vencedor do pleito nem demonstrou intenção de recebê-lo pessoalmente.

Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de 25 de outubro. Desde então, passou a contestar o resultado, embora não tenha apresentado provas de fraude.

Rubio nega ajuda para saída do Brasil

Também neste sábado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tenha participado da organização da saída de Flávio do Brasil.

Segundo Rubio, Washington sabia que o senador chegaria ao país e Trump decidiu permitir sua entrada, mas o governo americano não teria participado diretamente dos arranjos logísticos da viagem.

“Nós não facilitamos nada”, afirmou o secretário.

Rubio acrescentou que Flávio já possuía visto e que recebeu autorização para ingressar no território americano.

Reportagens citam assessor de Trump

A versão apresentada pelo secretário de Estado contrasta, porém, com reportagens publicadas pela imprensa americana.

Segundo informações atribuídas ao The New York Times e ao The Wall Street Journal, o estrategista político Jason Miller, aliado de longa data da família Bolsonaro e integrante do círculo de Trump, teria ajudado na organização do jato particular usado por Flávio para chegar aos Estados Unidos.

As publicações relatam que Miller teria participado de contatos para providenciar a aeronave que transportou o senador da Argentina até a Flórida. Ele não comentou publicamente as informações.

Isso não significa, por si só, participação institucional do governo americano, já que Rubio nega envolvimento direto das autoridades federais na logística.

Entrada foi autorizada por Trump

Apesar de negar participação na viagem, o governo dos Estados Unidos reconhece que Trump tomou a decisão política de permitir a entrada de Flávio.

Segundo Rubio, o presidente deixou claro que, caso o senador chegasse a um ponto de entrada americano, teria sua permanência autorizada.

A medida adotada foi uma forma de admissão condicional, conhecida como parole, que permite a entrada temporária de estrangeiros em situações específicas previstas pelas regras migratórias americanas.

Flávio deixou Brasil após decisão judicial

Flávio deixou o país depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega de seus passaportes e restringir viagens ao exterior.

Ele seguiu por terra para a Argentina e, posteriormente, embarcou em voo particular rumo aos Estados Unidos.

O senador afirma ser alvo de perseguição política e anunciou que pretende continuar liderando a oposição a partir do exterior.

A defesa dele também promete contestar judicialmente as medidas impostas pelo STF.

Trump questiona eleição, mas não reconhece Flávio

Desde o resultado do segundo turno, Trump tem repetido críticas ao processo eleitoral brasileiro.

Até o momento, porém, o presidente americano não apresentou evidências de irregularidades capazes de alterar o resultado e também não reconheceu Flávio como presidente eleito ou líder legítimo do Brasil.

A postura reforça o limite do apoio de Washington: Trump defende a permanência do senador nos Estados Unidos e critica sua situação no Brasil, mas, ao menos publicamente, evita assumir a contestação eleitoral de Flávio.

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