“Ela foi tomar um banho e o tubarão atacou”: primo relata desespero após jovem perder a perna em Boa Viagem

Marcela Vitória, de 19 anos, está internada em estado grave no Hospital da Restauração. Caso aconteceu apenas um dia após menino de 11 anos ser atacado em Piedade.
O que era para ser uma tarde de lazer entre familiares e amigos terminou em uma tragédia que chocou Pernambuco. A jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita arrancada após ser atacada por um tubarão na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na tarde da última segunda-feira (1º).

Emocionado, o primo da vítima, o vigilante Jonas André de Lima, contou como tudo aconteceu e relembrou os momentos de desespero após o ataque.
“A gente estava se divertindo, foi para a praia passear, tomar um caldinho. De repente aconteceu. Ela disse que iria tomar um banho, dar um mergulho, e o tubarão atacou ela”, relatou.
Foi o próprio Jonas quem entrou no mar para socorrer a jovem.
“Eu vi que ela estava perdendo as forças e se afastando. Entrei na água, segurei pelo braço e fui trazendo ela nadando até a beira da praia. Depois outras pessoas chegaram para ajudar. Ela estava muito machucada, já estava sem a perna”, contou.
Estado de saúde é grave
Marcela foi socorrida inicialmente para uma unidade de saúde em Boa Viagem e, posteriormente, transferida para o Hospital da Restauração (HR), referência em trauma no estado.
Segundo o diretor da unidade, médico Petrus Andrade Lima, a jovem chegou em estado de choque hemorrágico profundo, após perder grande quantidade de sangue.
Ela passou por uma cirurgia de emergência para controle do sangramento e permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob monitoramento permanente da equipe médica.
Os médicos alertam que, além da recuperação cirúrgica, existe preocupação com o risco de infecções decorrentes da gravidade dos ferimentos.
Médico na praia ajudou a salvar a vítima
Um fator considerado decisivo para a sobrevivência de Marcela foi a rápida aplicação de um torniquete por um médico que estava na praia no momento do incidente.
De acordo com a direção do Hospital da Restauração, o procedimento foi fundamental para conter a hemorragia até a chegada do atendimento especializado.
“O torniquete salva vidas em situações de amputação e sangramento intenso. Foi uma medida extremamente importante para que a paciente chegasse com chances de sobrevivência ao hospital”, explicou Petrus Andrade Lima.
Segundo ataque em menos de 48 horas
O caso ocorreu apenas um dia após outro grave incidente envolvendo tubarão no Grande Recife.
No domingo (31), o menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi atacado na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. O garoto sofreu graves ferimentos na mão e na perna esquerda, que precisou ser amputada.
Segundo o Hospital da Restauração, a criança também segue internada na UTI Pediátrica em estado grave, porém estável.
Por que tantos ataques em Boa Viagem e Piedade?

Com os dois casos mais recentes, Pernambuco chega a 84 incidentes envolvendo tubarões desde o início do monitoramento oficial, em 1992.
As praias de Boa Viagem e Piedade concentram mais da metade dos registros.
Especialistas apontam uma combinação de fatores ambientais e históricos para explicar a frequência dos ataques na região. Entre eles estão a proximidade de rios que desembocam no mar, a água turva provocada pelas chuvas, marés elevadas, redução da biodiversidade marinha e alterações ambientais provocadas ao longo das últimas décadas.
Segundo pesquisadores do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o ataque a Marcela foi provocado por um tubarão-tigre adulto, enquanto o menino João Lucas foi mordido por um tubarão-cabeça-chata.
As duas espécies são consideradas as mais frequentemente envolvidas nos incidentes registrados no litoral pernambucano.
Com a chegada do período de chuvas e marés mais agitadas, especialistas reforçam o alerta para que banhistas evitem entrar no mar em áreas sinalizadas como de risco, principalmente em trechos sem proteção dos arrecifes.