KAKAY DEIXA DEFESA DE CIRO NOGUEIRA EM MEIO À CRISE DO CASO MASTER

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, deixou oficialmente a defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no inquérito que investiga o escândalo envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (11) pelo escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, que informou que a saída ocorreu em “comum acordo”.
SAÍDA ACONTECE APÓS OPERAÇÃO DA PF
A decisão ocorre poucos dias depois de Ciro Nogueira ter sido alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e pagamentos mensais feitos pelo grupo ligado ao Banco Master ao senador.
Segundo a PF, os repasses variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês.
KAKAY NEGOU “MESADA” AO SENADOR
Na semana passada, após a operação da PF, Kakay saiu em defesa pública de Ciro Nogueira e negou que o parlamentar tenha recebido qualquer tipo de “mesada” de Daniel Vorcaro.
“Com certeza esse dinheiro não chegou na conta do Ciro. Eu garanto, em nome do senador, que não houve mesada”, afirmou o advogado em entrevista à CNN Brasil.
Apesar da declaração, a saída do criminalista aumenta ainda mais a pressão política e jurídica sobre o senador.
PF APONTA PAGAMENTOS MENSAIS E “PARCERIA”
De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos investigados eram operacionalizados por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”.
Segundo os investigadores:
- a BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, seria a origem dos recursos;
- a CNLF Empreendimentos Imobiliários, vinculada ao senador, recebia os valores;
- a empresa era administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.
As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas nos celulares apreendidos durante a investigação do caso Master.
IRMÃO DE CIRO TAMBÉM FOI ALVO
O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também foi alvo da operação da PF.
Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ele passou a usar tornozeleira eletrônica, ficou proibido de deixar a comarca onde mora e teve atividades econômicas suspensas.
A PF afirma que Raimundo teria papel operacional dentro da estrutura empresarial investigada.
PF INVESTIGA “EMENDA MASTER”
Outro ponto central da investigação envolve a chamada “Emenda Master”, apresentada no Senado durante a tramitação da PEC nº 65/2023.
Segundo a PF, o texto teria sido elaborado dentro do próprio Banco Master e enviado ao senador em um envelope identificado como “Ciro”.
A proposta previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que poderia beneficiar diretamente instituições financeiras como o Banco Master.
Investigadores afirmam ter encontrado mensagens em que Daniel Vorcaro comemora a aprovação do texto com a frase:
“SAIU EXATAMENTE COMO MANDEI.”
CIRO NEGA IRREGULARIDADES
O senador Ciro Nogueira segue negando qualquer participação em irregularidades.
A defesa do parlamentar afirma que as medidas da Polícia Federal foram baseadas apenas em trocas de mensagens e sustenta que não existem provas concretas de corrupção ou recebimento de propina.
Enquanto isso, a investigação do caso Master avança no STF e na Polícia Federal, com expectativa de novos desdobramentos envolvendo políticos, empresários e operadores financeiros ligados ao esquema.