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Economia

Demissões, inflação e pejotização: como as empresas pretendem reagir ao fim da escala 6×1

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Aprovada pela Câmara e mantida pelo Senado, a PEC concede apenas 60 dias para a transição. Setores produtivos apontam risco de demissões, encarecimento de serviços e alta na informalidade.

A aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala 6×1 desencadeou uma corrida contra o tempo no setor produtivo brasileiro. Com a determinação de que a transição comece apenas 60 dias após a promulgação, representantes do comércio, indústria, saúde e turismo afirmam que o prazo é insuficiente e já preparam manobras severas para se adaptar à nova realidade.

Entre as estratégias apontadas pelas lideranças empresariais estão o aumento da rotatividade de funcionários, demissão de trabalhadores experientes, avanço da “pejotização”, automação acelerada e até o repasse direto de custos para os consumidores.

O que muda na prática com o fim da escala 6×1?

Com o encerramento do modelo 6×1, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso por semana, com a redução imediata da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais, sem qualquer corte nos salários. A transição final para 40 horas semanais ocorrerá um ano depois.

O grande ponto de discórdia entre o setor privado e o Congresso é a velocidade da mudança. Enquanto países da América Latina e da Europa implementaram jornadas menores em prazos que variaram de quatro a cinco anos, o Brasil estabeleceu um cronograma de apenas dois meses para o início das adaptações.

Comparativo internacional:

  • Colômbia: Redução gradual ao longo de 5 anos (2021 a 2026).

  • Chile: Transição distribuída em 5 anos (2023 a 2028).

  • Portugal: 4 anos de adequação para a jornada de 40 horas.

  • França: Carência de até 4 anos para pequenos negócios.

Indústria: banco de horas no curto prazo e robôs no longo prazo

Para a indústria, a resposta imediata ao fim da folga única será o uso intensivo de banco de horas para evitar o pagamento de horas extras. No entanto, entidades do setor admitem que a medida é apenas paliativa.

“O banco de horas resolve agora, mas joga o problema para a frente. No final do ano, a conta chega e o empresário precisa pagar o saldo”, avalia José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Diante da escassez de mão de obra qualificada para cobrir os turnos adicionais, a tendência de longo prazo será a substituição de postos de trabalho por automação. Contudo, atrasos na entrega de equipamentos e na modernização das plantas fabris são dados como certos no curto prazo.

Risco de demissões em cadeia no setor industrial

Na indústria paranaense, o cenário projetado é ainda mais crítico. A Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) aponta que indústrias com operação 24 horas terão de escolher entre contratar turnos extras ou reduzir a produção.

“Se a demanda cair devido ao aumento de preços gerado pelo custo produtivo, a indústria precisará encolher a produção — o que resultará diretamente na demissão de empregados”, prevê Guilherme Hakme, diretor da Fiep. O setor já articula cobranças ao Governo Federal por compensações tributárias e linhas de crédito subsidiadas.

Comércio e turismo: corte de salários, “pejotização” e inflação

No comércio varejista, a estratégia para conter os custos será o aumento da rotatividade da equipe.

“O que tende a acontecer é o desligamento de funcionários com mais tempo de casa e salários mais altos, substituindo-os por profissionais menos experientes e com salários menores”, alerta Karina Negreli, assessora jurídica da Fecomercio-SP. Caso a conta não feche, a alternativa será reduzir o horário de atendimento ao público.

Ela adverte ainda que o consumidor sentirá o impacto no bolso: um aumento estimado de 10% nos custos trabalhistas deve ser parcialmente repassado aos preços finais, pressionando a inflação.

Já o setor de turismo e hotelaria aposta em duas saídas:

  1. Aumento do trabalho intermitente e expansão da escala 12×36 para recepção e apoio;

  2. Crescimento da “pejotização” (contratação como PJ) e contratações diárias para cobrir picos de movimento no fim de semana.

“Haverá um avanço inevitável da pejotização, que já é um viés aceito pelo Supremo Tribunal Federal”, projeta Alexandre Sampaio de Abreu, presidente da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação).

Hospitais alertam para risco na prestação de serviços

Na área da saúde privada, o prazo de 60 dias é visto com extrema preocupação pela Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados). Como os hospitais operam 24 horas por dia, setores operacionais de apoio — como limpeza, segurança e manutenção — não podem adotar a escala 12×36 sem negociação coletiva específica.

Sem tempo hábil para renegociar acordos com os sindicatos, a entidade alerta que o custo operacional subirá de forma inevitável, sendo repassado para os contratos dos planos de saúde e, consequentemente, para os usuários finais.

Você concorda com o prazo estipulado pelo Congresso para o fim da escala 6×1 ou acredita que as empresas deveriam ter mais tempo de transição? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião!

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