OPERAÇÃO DA PF CONTRA FRAUDES NO INSS CHEGA A PERNAMBUCO E ENCONTRA MALA COM DINHEIRO EM ESPÉCIE

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, na manhã desta quarta-feira (27), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Pernambuco está entre os estados alvos da ofensiva, que também atinge São Paulo, Paraíba e o Distrito Federal.
Durante a operação, agentes encontraram uma mala recheada de dinheiro em espécie. Imagens divulgadas pela PF mostram diversos maços de cédulas de R$ 200 embalados em sacos plásticos. O valor apreendido ainda não foi oficialmente divulgado.
As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
INVESTIGAÇÃO APURA ROMBO DE R$ 6,3 BILHÕES
Segundo a Polícia Federal, as entidades investigadas podem ter descontado ilegalmente cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024.
O esquema funcionava por meio de associações e entidades que realizavam descontos mensais diretamente nos benefícios previdenciários, muitas vezes sem autorização das vítimas.
As investigações apontam que milhares de aposentados sequer sabiam que haviam sido filiados às entidades.
PERNAMBUCO ESTÁ ENTRE OS PRINCIPAIS ALVOS
Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS suspeitos de participação no esquema, principalmente em Garanhuns.
Entre os investigados está Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Outro alvo é Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns.
Segundo a PF, parte dos investigados já utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
31 MANDADOS E BLOQUEIO DE BENS
Ao todo, estão sendo cumpridos:
- 31 mandados de busca e apreensão;
- 8 medidas cautelares de monitoramento eletrônico;
- bloqueios patrimoniais e outras medidas para evitar ocultação de bens.
A PF afirma que alguns investigados tentavam transferir patrimônio para escapar de futuras punições judiciais e dificultar o ressarcimento das vítimas.
ASSOCIAÇÕES SÃO SUSPEITAS DE FRAUDE
As investigações apontam atuação de diferentes núcleos em Pernambuco, São Paulo e Brasília.
Entre as entidades citadas estão:
- Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB);
- Master Prev;
- Andapp;
- Aasap;
- Unibap;
- Abenprev;
- Abapen.
Segundo a Controladoria-Geral da União, muitas dessas associações não possuíam estrutura real para oferecer os serviços prometidos aos aposentados, como assistência jurídica, planos de saúde e academias.
ALVO RECEBEU AUXÍLIO EMERGENCIAL MESMO MORANDO EM ALPHAVILLE
Um dos principais investigados é Américo Monte Júnior, apontado como responsável pela estrutura de entidades suspeitas.
Segundo a investigação, ele mora em uma residência de alto padrão em Alphaville, na Grande São Paulo, mas teria recebido auxílio emergencial durante a pandemia.
A defesa dele não foi localizada até a última atualização da reportagem.
OPERAÇÃO JÁ AFASTOU SERVIDORES E POLÍTICOS
A primeira fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado, mobilizou cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU.
Na ocasião, foram cumpridos mais de 200 mandados judiciais, além do bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens.
Pelo menos seis servidores públicos foram afastados de suas funções.
A investigação também já alcançou empresários, dirigentes de entidades e políticos citados nas apurações. Todos negam irregularidades.
PF INVESTIGA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como:
- organização criminosa;
- estelionato previdenciário;
- corrupção;
- lavagem de dinheiro;
- ocultação patrimonial;
- crimes contra a administração pública.
As investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos e dimensionar o prejuízo total causado aos aposentados brasileiros.