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Fraude no Detran-PE emplacava carros que ainda estavam nas montadoras

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Operação da Polícia Civil mira cinco servidores suspeitos de usar notas fiscais e procurações falsas para registrar veículos que ainda não haviam sido vendidos

Cinco servidores públicos foram alvo de uma operação da Polícia Civil que investiga uma fraude no Detran-PE envolvendo o primeiro emplacamento de veículos. Segundo as investigações, o grupo registrava automóveis que ainda não tinham sido vendidos e permaneciam em concessionárias ou montadoras.

A Operação Dupla Identidade foi deflagrada na terça-feira, 28 de julho. Os policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e quatro medidas cautelares diferentes da prisão.

Um homem foi preso preventivamente. Além disso, quatro servidores foram afastados das funções e passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica. Os investigados atuavam em Circunscrições Regionais de Trânsito no Cabo de Santo Agostinho e em Paulista, no Grande Recife.

Fraude no Detran-PE usava documentos falsificados

De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava notas fiscais e procurações falsas para realizar o primeiro emplacamento. Os documentos apresentavam números de chassi de veículos que ainda estavam nas concessionárias ou nas linhas de produção das montadoras.

O primeiro emplacamento corresponde ao registro inicial de um veículo no órgão de trânsito. No esquema investigado, os suspeitos inseriam informações falsas nos sistemas da administração pública para criar registros oficiais de carros que ainda não haviam sido comercializados.

O procedimento passava por dois servidores. Primeiro, um atendente recebia a documentação, fazia uma checagem preliminar e inseria os dados do automóvel e da nota fiscal no sistema.

Depois, o processo seguia para o funcionário responsável pelo controle de qualidade. Esse servidor deveria revisar os documentos e verificar a autenticidade das informações antes de aprovar o registro.

Segundo a investigação, os envolvidos burlavam essas duas etapas. O atendente aceitava a documentação falsa, enquanto o revisor liberava o emplacamento sem cumprir todas as verificações previstas pelo manual do Detran-PE.

Polícia identificou falsificações grosseiras

O delegado Júlio César Pinheiro, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que alguns documentos apresentavam falsificações consideradas grosseiras. Portanto, as irregularidades poderiam ter sido identificadas durante uma análise regular.

Mesmo assim, os processos avançavam no sistema. Conforme o delegado, o atendente funcionava como porta de entrada do esquema e encaminhava a documentação falsa para o controle de qualidade.

Na sequência, o revisor validava o pedido sem seguir os procedimentos de segurança exigidos. Dessa maneira, o grupo conseguia concluir o emplacamento fraudulento dos veículos.

As investigações começaram no início de 2025. Até o momento, a polícia identificou reflexos do esquema em pelo menos oito estados, mas ainda não divulgou a quantidade total de veículos registrados irregularmente.

A Polícia Civil continua analisando os documentos, equipamentos eletrônicos e dados recolhidos durante a operação. O material poderá revelar novos participantes e esclarecer a finalidade dos emplacamentos.

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, falsificação de documentos e inserção de dados falsos em sistemas públicos. No entanto, as responsabilidades individuais ainda serão definidas durante a investigação.


Com informações do g1

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