Policial
Missionária é investigada por relação com líderes do CV
Polícia aponta uso de acesso a presídios para contato com integrantes da facção, movimentação de dinheiro e ocultação de recursos
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga uma família de missionários por suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, respondem a indiciamento por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As defesas, no entanto, negam as acusações.
Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a família integrava um grupo autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa em unidades prisionais. A investigação começou após uma denúncia que apontou a suposta proximidade dos três com membros da facção.
Nesse contexto, os investigadores afirmam que os suspeitos teriam usado o acesso aos presídios para se aproximar de lideranças do crime organizado na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. Além disso, a polícia sustenta que eles transmitiam recados, cediam contas bancárias para movimentação de valores e ajudavam a ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Relação com integrantes da facção
Entre os principais nomes citados no inquérito está Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman. A polícia o aponta como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo a investigação, Rhavenna mantinha contato frequente com ele e sabia onde o criminoso estava escondido após fugir do regime semiaberto.
Além disso, os investigadores afirmam que Rhavenna e Batman mantinham um relacionamento amoroso. De acordo com a polícia, ela viajava com frequência ao Rio de Janeiro e participava de momentos de lazer que o grupo criminoso teria financiado.
A apuração também identificou uma suposta relação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo o inquérito, ele teria enviado presentes à investigada, incluindo joias e um veículo.
Ostentação e material apreendido
Durante a investigação, a polícia reuniu mensagens, fotos, vídeos e áudios que, segundo os agentes, indicam a proximidade de Rhavenna com integrantes da facção. Entre os registros, aparecem armas, dinheiro, joias, viagens e veículos de luxo.
Além disso, os investigadores apontam que um Porsche avaliado em cerca de R$ 600 mil, exibido pela missionária nas redes sociais, pertenceria a Batman. Outras mulheres que atuavam como missionárias em presídios também passaram a integrar a investigação.
Segundo a Draco, algumas dessas mulheres mantinham relacionamentos com traficantes e teriam mentido durante depoimentos. Por isso, a polícia também as indiciou por falso testemunho.
Indiciamentos e defesa

Rhavenna Barcelos aparece com uma arma em registro analisado pela polícia na investigação sobre suposta ligação com integrantes do Comando Vermelho. | Foto: Reprodução
Rhavenna, Orminda e Nivaldo receberam indiciamento por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia contra Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.
Diante do avanço do caso, a Justiça de Mato Grosso proibiu os investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito de participar de atividades de assistência religiosa em presídios. Ao mesmo tempo, a Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização contra o uso de celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.
Por outro lado, a defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que apresentará esclarecimentos durante o processo. Já a defesa de Orminda declarou que ela não participa de organização criminosa. Nesta semana, Nivaldo morreu em decorrência de um câncer.
Com informações do g1
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