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Alcolumbre articula perdão a Bolsonaro para tentar garantir votos da direita no Senado

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Segundo aliados, presidente da Casa quer discutir indulto com Lula e, se não houver acordo, trabalhar por anistia no Congresso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), planeja articular um indulto ou uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como parte de uma estratégia para ampliar seu apoio entre senadores de direita e fortalecer sua candidatura à reeleição no comando da Casa em 2027.

A informação foi relatada por aliados de Alcolumbre ouvidos pela Folha de S.Paulo. Segundo eles, a proposta também teria como objetivo reduzir a pressão de parlamentares da oposição por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes.

Plano prevê conversa com Lula

De acordo com os relatos, Alcolumbre pretende procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro.

O indulto é um ato de clemência presidencial e, nesse cenário, dependeria de decisão de Lula. Caso o presidente não aceite a proposta, Alcolumbre teria sinalizado a parlamentares que passaria a trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso.

O tema ainda não teria sido tratado na primeira conversa entre Alcolumbre e Lula após a eleição presidencial. Os dois se encontraram depois da vitória de Lula, em um movimento de aproximação institucional entre o Planalto e o Congresso.

Objetivo seria reduzir pressão contra o STF

A negociação seria apresentada como parte de uma tentativa de “pacificação” política após a eleição presidencial.

Em troca de um eventual perdão a Bolsonaro, aliados de Alcolumbre defendem que a direita reduza a ofensiva pelo impeachment de ministros do STF e passe a concentrar esforços em mudanças mais amplas no Judiciário.

A nova composição do Senado terá uma bancada de direita numerosa e mais vocal contra a Corte. Segundo a reportagem, ao menos 49 dos 81 senadores da próxima legislatura defendem o impeachment de ministros do STF, embora parte deles faça ressalvas. Para um afastamento ser aprovado, são necessários 54 votos.

Anistia poderia ser limitada à esfera penal

Outro ponto em discussão é o alcance de uma eventual anistia.

Aliados de Alcolumbre demonstram preocupação em evitar que um perdão penal produza automaticamente efeitos eleitorais. A ideia seria construir um texto que beneficiasse Bolsonaro na esfera criminal sem necessariamente restabelecer sua elegibilidade.

Há divergências jurídicas sobre os efeitos de uma anistia sobre condenações eleitorais, o que torna esse um dos pontos mais sensíveis de qualquer eventual negociação.

Dosimetria pode entrar no acordo

Antes de avançar com indulto ou anistia, aliados de Alcolumbre também avaliam que seria importante destravar a lei que reduziu penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

A norma está suspensa por decisão de Alexandre de Moraes até julgamento do plenário do STF. Segundo a reportagem, o reconhecimento da constitucionalidade da medida ajudaria a diminuir a resistência de setores bolsonaristas a um eventual acordo político.

Disputa pela presidência do Senado está aberta

Alcolumbre busca mais um mandato à frente do Senado e conta com apoio de partidos de centro e da esquerda, mas enfrenta resistência de setores da direita.

O União Brasil e o PP já declararam apoio à sua reeleição, enquanto nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) aparecem como alternativas da oposição. A votação será secreta, o que aumenta a incerteza sobre o resultado final.

A eleição para a presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027 e exige 41 votos.

Bolsonaro vira peça central da negociação

Com a direita ampliando sua presença no Senado, Bolsonaro passa a ocupar papel central nas articulações para a próxima legislatura.

A estratégia atribuída a Alcolumbre busca justamente transformar uma pauta defendida pela oposição — o perdão ao ex-presidente — em instrumento de negociação para construir uma maioria política no Senado e, ao mesmo tempo, reduzir a tensão institucional com o STF.

Até o momento, no entanto, Alcolumbre não anunciou publicamente um acordo com Lula ou com a oposição, e qualquer indulto ou anistia ainda dependeria de etapas políticas e jurídicas específicas.

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