Jantar secreto, STF e banqueiros: bastidores do encontro entre André Esteves e Alexandre de Moraes em Lisboa agitam Brasília

ESTEVES REÚNE MORAES, GILMAR E ELITE DO PODER EM LISBOA

Um jantar reservado realizado durante o Fórum de Lisboa, em Portugal, colocou frente a frente algumas das figuras mais influentes da política, do Judiciário e do mercado financeiro brasileiro. O encontro foi organizado pelo banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual, e contou com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Nos bastidores, o evento foi interpretado como um movimento estratégico para reduzir tensões entre Esteves e Moraes, após desgastes provocados pelas revelações envolvendo contratos milionários firmados entre a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci, e o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.

O jantar ocorreu no luxuoso hotel Four Seasons, em Lisboa, reunindo cerca de 30 convidados selecionados. Entre eles estavam o ministro Gilmar Mendes, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, além da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Segundo relatos de participantes, o clima foi marcado pela tentativa de distensão política e institucional. Durante a abertura, André Esteves destacou a necessidade de “harmonia” entre os Poderes diante dos desafios enfrentados pelo país.


CASO MASTER GEROU MAL-ESTAR NOS BASTIDORES

A aproximação entre o banqueiro e Moraes ocorre após meses de desconforto nos bastidores de Brasília.

De acordo com interlocutores, o ministro atribuía a pessoas ligadas ao mercado financeiro o vazamento de informações sobre os contratos da esposa com o Banco Master, revelados pela imprensa e que geraram forte repercussão política.

Nos bastidores, nomes como Michel Temer, Rodrigo Maia e Gilmar Mendes teriam atuado para reduzir o clima de tensão entre as partes.


BTG BANCOU ESTRELAS INTERNACIONAIS DO FÓRUM

Além do jantar reservado, André Esteves também teve papel de destaque na programação do Fórum de Lisboa, apelidado por críticos e participantes de “Gilmarpalooza”.

O BTG Pactual patrocinou a participação de convidados internacionais de peso, entre eles o jornalista norte-americano Thomas Friedman, colunista do New York Times, e o ex-presidente da Colômbia Iván Duque.

Embora o banco afirme que os palestrantes não receberam cachês, a instituição confirmou ter custeado despesas de viagem e hospedagem dos convidados.

As participações deram projeção internacional ao evento, objetivo declarado de Gilmar Mendes para as próximas edições.


MORAES RECEBE ELOGIOS E É OVACIONADO

Durante os debates, Alexandre de Moraes foi uma das figuras mais assediadas do encontro.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, elogiou publicamente a atuação do ministro nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e à responsabilização de investigados pelos atos antidemocráticos.

Segundo participantes, Moraes recebeu aplausos e foi constantemente procurado para fotos e conversas ao longo dos corredores do evento.


“DAVOS BRASILEIRA” É O PRÓXIMO PASSO

Ao encerrar o Fórum de Lisboa, Gilmar Mendes indicou que pretende ampliar ainda mais a dimensão internacional do encontro.

A meta, segundo o ministro, é transformar o evento em um fórum global de debates sobre democracia, economia e instituições, nos moldes do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Nos bastidores, a proposta já ganhou um apelido entre organizadores e convidados: a criação de uma verdadeira “Davos brasileira” em Lisboa.

Enquanto isso, o encontro entre André Esteves e Alexandre de Moraes segue repercutindo em Brasília, onde a aproximação entre poder econômico, Judiciário e política continua sendo observada com atenção por aliados e adversários do governo.

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