Guerra nos bastidores da CBF se intensifica durante a Copa e cerca presidente Samir Xaud

Enquanto a Seleção Brasileira tenta encerrar um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo, uma disputa de poder movimenta os bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em meio à campanha do Brasil no Mundial, o presidente Samir Xaud se vê cercado por uma crescente guerra política dentro da entidade.

Nos corredores da confederação, dirigentes relatam um ambiente marcado por desconfiança, vazamentos de informações, disputas internas e tentativas de desgaste entre diferentes grupos que disputam influência no comando do futebol brasileiro.

Polêmica envolvendo presidente amplia tensão

O episódio mais recente surgiu após uma reportagem apontar que mulheres teriam viajado aos Estados Unidos com recursos ligados à CBF durante a Copa do Mundo.

A entidade negou qualquer utilização de verba oficial para custear viagens com essa finalidade. Pessoas próximas à direção afirmam que o caso envolve questões de caráter privado e não recursos institucionais.

Mesmo sem comprovação de irregularidades, o episódio foi interpretado nos bastidores como mais um capítulo da disputa interna que se fortaleceu após a chegada de Samir Xaud à presidência.

Disputa por espaço e influência

Entre as versões que circulam nos bastidores está a suspeita de um suposto “fogo amigo” vindo de integrantes da própria cúpula da CBF.

Uma das hipóteses aponta para setores ligados ao vice-presidente Gustavo Dias Henrique. Interlocutores afirmam que haveria interesse em ampliar espaço político dentro da entidade.

Pessoas próximas ao dirigente negam qualquer articulação para enfraquecer Samir Xaud e destacam que ele não seria sequer o primeiro na linha sucessória em caso de vacância da presidência.

Outra corrente de dirigentes cita o nome de Gustavo Feijó, atual diretor de seleções, como possível integrante de grupos insatisfeitos com a distribuição de poder na nova gestão. Feijó também rejeita qualquer envolvimento em movimentos contra o presidente.

Cartolas reclamam de perda de privilégios

A insatisfação também alcança parte dos presidentes de federações estaduais.

Segundo relatos obtidos nos bastidores, mudanças implementadas pela atual administração reduziram benefícios que existiam durante a gestão anterior.

Durante a Copa do Mundo, diversos dirigentes viajaram para acompanhar a Seleção, mas ficaram fora das áreas mais exclusivas destinadas ao núcleo próximo ao comando da entidade.

Embora tenham recebido ingressos em setores considerados nobres, alguns cartolas interpretaram a situação como perda de prestígio político.

Influência de Brasília entra no radar

Outro componente da crise envolve a influência de personagens ligados ao cenário político nacional.

Nos bastidores da CBF, interlocutores apontam que o ministro do STF, Gilmar Mendes, continua sendo uma figura de peso nas articulações que cercam o futebol brasileiro.

Seu filho, Francisco Mendes, também é citado por dirigentes como alguém que passou a integrar o ambiente de influência que envolve decisões estratégicas da entidade.

Os dois nomes aparecem frequentemente em conversas sobre o processo que levou Samir Xaud ao comando da CBF em um dos períodos mais turbulentos da história recente da confederação.

Copa do Mundo vira pano de fundo para batalha pelo poder

Apesar das diferentes versões e das negativas dos envolvidos, há um consenso entre dirigentes: a turbulência nos bastidores está longe de terminar.

Com a Seleção Brasileira concentrada na busca pelo hexacampeonato, a principal disputa da CBF parece acontecer fora das quatro linhas.

Mais do que resultados em campo, o que está em jogo nos corredores da entidade é o controle político do futebol brasileiro, uma batalha que promete continuar mesmo após o fim da Copa do Mundo.

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