PF INVESTIGA ESQUEMA DE R$ 3,8 MILHÕES EM CONTRATOS DE DEDETIZAÇÃO E CUMPRE MANDADOS EM PERNAMBUCO

Operação apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e repasses a agentes públicos
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Infesto para investigar um suposto esquema de fraude em contratos públicos de dedetização e impermeabilização que pode ter desviado pelo menos R$ 3,8 milhões de recursos públicos em Pernambuco.
Com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão. Oito deles foram executados nas cidades do Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista. O nono mandado foi cumprido em João Pessoa, na Paraíba.
Segundo as investigações, aproximadamente R$ 2,3 milhões dos valores sob suspeita tiveram origem em verbas federais.
Empresa movimentava valores incompatíveis com sua capacidade financeira
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a estrutura econômica da empresa contratada para prestar serviços de controle de pragas urbanas.
Os investigadores apontam que a empresa recebeu milhões de reais por contratos firmados entre 2020 e 2024 e, posteriormente, realizou sucessivos saques em dinheiro vivo e transferências para diversas pessoas físicas.
A suspeita é de que os recursos públicos tenham sido pulverizados por meio de uma rede de operadores financeiros, familiares da sócia da empresa e empresas intermediárias utilizadas para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
PF apura possível pagamento de propina
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo agentes públicos.
Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de repasses realizados em período coincidente com a execução dos contratos, o que pode indicar o pagamento de vantagens indevidas para favorecer contratações e liberar pagamentos.
As investigações também apontam que diversos contratos foram firmados sem licitação, por meio de dispensas que agora estão sob análise dos órgãos de controle.
Esquema pode envolver fraude em contratos municipais
A Controladoria-Geral da União informou que a operação busca aprofundar a apuração sobre possíveis irregularidades na contratação de serviços de imunização, dedetização e controle de pragas urbanas em municípios pernambucanos.
Os investigadores suspeitam que o grupo tenha utilizado contratos públicos para desviar recursos e beneficiar pessoas ligadas à empresa investigada.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos documentos, computadores, celulares, mídias digitais e outros materiais que poderão ajudar a identificar os responsáveis pelo suposto esquema.
Crimes investigados podem resultar em penas severas
De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder por uma série de crimes, entre eles:
- Associação criminosa;
- Peculato;
- Corrupção ativa;
- Corrupção passiva;
- Fraude em licitações;
- Lavagem de dinheiro.
As penas somadas podem ultrapassar décadas de prisão, dependendo do grau de participação de cada investigado.
Nome da operação faz referência à atividade da empresa
Batizada de “Infesto”, a operação faz referência direta ao ramo de atuação da empresa investigada, especializada em serviços de dedetização, controle de pragas e impermeabilização.
A PF destacou que as investigações continuam em andamento e que os fatos ainda estão sendo apurados.
Com a análise do material apreendido, os investigadores pretendem rastrear o caminho do dinheiro, identificar beneficiários finais dos recursos e verificar se houve participação de agentes públicos no suposto esquema de corrupção.
A expectativa é que a nova fase da investigação revele a extensão real das irregularidades envolvendo contratos custeados com dinheiro público em Pernambuco.





