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Gastos de Lula com cartão corporativo podem atingir recorde histórico

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Presidência desembolsou mais de R$ 55 milhões no atual mandato; projeção indica que despesas podem superar as registradas nos governos anteriores

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá terminar com o maior volume de despesas em cartões corporativos da Presidência da República desde a criação do instrumento, em 2001.

Dados oficiais disponíveis no Portal da Transparência e fiscalizados pelo Tribunal de Contas da União apontam que os gastos do atual governo já ultrapassaram R$ 55 milhões.

Considerando a manutenção de uma média mensal próxima de R$ 2 milhões até dezembro de 2026, a atual gestão poderá superar os valores corrigidos pela inflação registrados nos dois primeiros mandatos de Lula.

O primeiro governo do petista, entre 2003 e 2006, ainda aparece na liderança da série histórica, com aproximadamente R$ 70 milhões em valores atualizados. O segundo mandato soma cerca de R$ 57 milhões.

Na sequência aparecem o primeiro governo de Dilma Rousseff, com R$ 50 milhões; a gestão de Jair Bolsonaro, com R$ 39 milhões; o governo Michel Temer, com R$ 18 milhões; e o segundo mandato de Dilma, com R$ 12 milhões.

TCU NÃO APONTOU IRREGULARIDADES

Apesar dos valores elevados, o Tribunal de Contas da União não identificou irregularidades nas despesas analisadas até o momento.

O cartão corporativo é um instrumento previsto para o pagamento de despesas de pequeno valor, situações emergenciais, atividades de segurança, ações logísticas e custos relacionados a missões oficiais.

Grande parte das informações detalhadas, no entanto, permanece sob algum nível de restrição. Auditorias realizadas pelo TCU indicam que 99,5% das despesas feitas com o cartão corporativo da Presidência estão protegidas por sigilo, principalmente por razões de segurança.

A falta de detalhamento tem motivado cobranças de parlamentares, jornalistas e entidades da sociedade civil por maior transparência na utilização dos recursos públicos.

VIAGENS E HOSPEDAGENS ENTRAM NO DEBATE

Os gastos do governo federal com diárias e passagens também chamam atenção. Em aproximadamente três anos e meio, as despesas do Executivo nessa área ultrapassaram R$ 4,5 bilhões.

Nas viagens internacionais realizadas em 2025, foram desembolsados cerca de R$ 44 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 18 milhões foram destinados à hospedagem de integrantes das comitivas.

Em todo o orçamento anual para missões no exterior, os gastos com hotéis chegaram a R$ 20 milhões de um total de R$ 52 milhões.

O presidente e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, ficaram hospedados em estabelecimentos de alto padrão durante viagens oficiais a cidades como Paris, Nice e Nova Déli.

O governo explica que parte das acomodações é paga pelos países anfitriões ou integra a estrutura necessária para visitas de Estado, incluindo segurança e apoio às delegações.

Parlamentares da oposição, porém, questionam o tamanho das comitivas, os critérios utilizados na seleção dos hotéis e o custo das hospedagens.

VIAGEM DE JANJA TEVE INFORMAÇÕES INCOMPLETAS

Uma viagem de Janja a Nova York, realizada em 2024, tornou-se um dos principais pontos de questionamento.

Pedidos apresentados por meio da Lei de Acesso à Informação esclareceram despesas relacionadas a passagens e seguro, mas não detalharam de forma conclusiva quem pagou os custos de hospedagem e alimentação.

Também foram feitos questionamentos sobre viagens à França e ao Japão, além da quantidade de servidores e assessores mobilizados para acompanhar a primeira-dama.

O governo sustenta que os gastos obedecem às regras administrativas e aos protocolos de segurança utilizados em compromissos internacionais.

MOBILIÁRIO DO ALVORADA GEROU POLÊMICA

Compras destinadas à residência oficial da Presidência também provocaram repercussão desde o início do mandato.

Em abril de 2023, o governo adquiriu, com dispensa de licitação, um sofá por aproximadamente R$ 65 mil e uma cama por R$ 42 mil para o Palácio da Alvorada.

A justificativa apresentada foi a necessidade de substituir objetos deteriorados ou que não teriam sido encontrados inicialmente na residência oficial.

Anteriormente, outros 11 móveis haviam sido adquiridos por cerca de R$ 379 mil. Posteriormente, os bens que haviam sido considerados desaparecidos foram localizados em um depósito da própria Presidência.

Também foram registrados gastos de aproximadamente R$ 114 mil com um tapete para o Palácio do Planalto e de R$ 156 mil com serviços relacionados ao piso do edifício.

A Presidência afirma que as intervenções foram necessárias para recuperar o patrimônio público e adequar os imóveis oficiais.

CASAL FICOU 36 DIAS EM HOTEL

Enquanto o Palácio da Alvorada passava por reformas, Lula e Janja ficaram hospedados durante 36 dias em um hotel de Brasília.

O contrato teve custo de aproximadamente R$ 216,8 mil e, segundo o governo, incluía a hospedagem do casal presidencial, serviços de apoio e acomodações para agentes responsáveis pela segurança.

Peças de vestuário utilizadas pelo presidente e pela primeira-dama também tiveram ampla repercussão nas redes sociais. Algumas roupas usadas por Janja foram avaliadas entre R$ 3 mil e R$ 7,4 mil.

Aliados afirmam que as escolhas ajudam a divulgar estilistas e marcas brasileiras e destacam que algumas peças podem ser emprestadas ou cedidas para eventos públicos. A oposição utiliza os valores para criticar o padrão de consumo associado ao casal presidencial.

GOVERNO DEFENDE DESPESAS

O governo federal argumenta que os gastos refletem necessidades operacionais, medidas de segurança, compromissos diplomáticos e a recuperação do patrimônio da Presidência.

Já opositores afirmam que os valores são incompatíveis com o cenário fiscal do país e com o discurso de defesa da população de baixa renda.

A discussão deverá continuar até o encerramento do mandato, especialmente diante da possibilidade de os gastos com cartões corporativos ultrapassarem o recorde histórico da Presidência.


Com informações do Gazeta do Povo

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