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PF aciona AGU contra medidas de André Mendonça em caso que envolve Lulinha
A Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União contra medidas impostas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no inquérito que apura fraudes em descontos no INSS e que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a reportagem, integrantes da PF avaliam que as decisões do ministro aumentaram o controle do gabinete sobre a investigação e podem configurar interferência na atuação interna da corporação.
O objetivo da Polícia Federal é que a AGU avalie alguma medida judicial para contestar as determinações de Mendonça. Entre elas, está a ordem para que todos os atos da apuração sejam juntados imediatamente ao processo que tramita no gabinete do ministro.
Mendonça também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe responsável pelo caso seja comunicado previamente ao seu gabinete.
PF vê intromissão na gestão da investigação
Nos bastidores, pessoas com acesso à cúpula da Polícia Federal classificaram as medidas como uma intromissão do magistrado na gestão das equipes de investigação.
A decisão de enviar os dados diretamente ao gabinete também foi interpretada, por integrantes da corporação, como um possível sinal de desconfiança em relação à imparcialidade da PF na condução do caso.
Um investigador ligado à apuração afirmou que, caso o ministro avalie haver perseguição, proteção a algum investigado ou qualquer irregularidade, isso deveria ser formalizado no processo, e não tratado como uma suspeita genérica contra a instituição.
A reportagem informou que não conseguiu contato com o gabinete de André Mendonça. A AGU não respondeu sobre o pedido, e a Polícia Federal também não comentou o assunto.
Caso é sensível por envolver filho de Lula
A investigação faz parte da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
O caso é considerado sensível porque envolve Lulinha. Em fevereiro, André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente.
Uma das linhas de investigação apura se Lulinha seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos operadores centrais do esquema investigado.
A defesa de Lulinha sempre negou que ele tenha cometido qualquer ilegalidade. Além disso, investigadores ouvidos sob reserva afirmam que, até o momento, não haveria provas suficientes de que ele tenha praticado irregularidades.
Crise entre PF e Mendonça escala
A ida da Polícia Federal à AGU representa uma escalada na tensão entre a corporação e o ministro André Mendonça.
Antes disso, o relator já havia determinado que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na Operação Sem Desconto, como celulares, HDs e pen drives dos presos.
A Polícia Federal respondeu que precisaria de mais prazo e alegou falta de pessoal. Segundo a corporação, 11 pessoas atuam na investigação, mas seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro.
A PF também informou que a análise global do material, composto por cerca de 1.700 itens, ainda estava em estágio inicial e que aproximadamente 40% do conteúdo havia sido examinado.
Troca de equipe aumentou desgaste
Outro ponto de tensão foi a mudança na coordenação da investigação.
A Polícia Federal retirou o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e transferiu a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, responsável por investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Na ocasião, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, que comandava a divisão anterior, teria sido pego de surpresa pela decisão da cúpula da PF.
A corporação justificou a mudança afirmando que a nova coordenação tem estrutura permanente para conduzir operações sensíveis e complexas com tramitação no Supremo Tribunal Federal.
Mendonça, no entanto, demonstrou incômodo com as alterações e pediu que a PF mantivesse a equipe de investigação. Em caso de novas mudanças, determinou que a corporação apresentasse justificativas no processo.
Oposição acusa PF de proteger Lulinha
As mudanças internas na investigação levaram integrantes da oposição a acusar a Polícia Federal de proteger o filho do presidente.
O caso também provocou divisão entre investigadores. Parte deles afirma, sob reserva, que avançar sobre Lulinha representaria uma mudança no rumo da apuração. Esse grupo sustenta que, até agora, não há elementos suficientes para apontar que ele tenha cometido irregularidades.
Ao mesmo tempo, investigadores também fazem críticas internas à condução de André Mendonça. Segundo esses relatos, pedidos de quebra de sigilo e bloqueio de bens não teriam a mesma velocidade de análise no gabinete, dependendo de quem são os alvos.
Investigação segue sem conclusão
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 e apura um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Autoridades que acompanham o caso avaliam que a investigação avança em ritmo mais lento do que a Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master.
Até agora, não há conclusão definitiva sobre eventual participação de Lulinha no caso. Também não há decisão final sobre as reclamações da PF contra as medidas de André Mendonça.
O episódio, no entanto, expõe uma crise institucional sensível: de um lado, um ministro do Supremo cobrando controle e velocidade na investigação; de outro, a Polícia Federal alegando interferência na gestão de suas equipes e buscando respaldo da AGU para reagir.
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