Brasil
Padre de SP é excomungado após aderir a fraternidade em conflito com o Vaticano
Rodrigo de Oliveira Silva deixou a Diocese de Jundiaí após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista que rejeita acusações de cisma feitas pelo Vaticano
A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, excomungou o padre Rodrigo de Oliveira Silva depois que ele aderiu formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). O Vaticano considera o grupo tradicionalista em situação de cisma com a Igreja Católica, enquanto a fraternidade rejeita essa classificação e afirma que permanece vinculada à tradição da Igreja.
Natural de Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo, Rodrigo estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu a formação em Filosofia e Teologia em 2009. Ele recebeu a ordenação como diácono em 2010 e tornou-se padre no ano seguinte, tendo exercido posteriormente a função de pároco da Paróquia Santo Antônio.
Em fevereiro de 2026, Rodrigo já havia solicitado afastamento da Diocese de Jundiaí. Desde março, ele também promove uma campanha de arrecadação pela internet para financiar a abertura de uma igreja própria, iniciativa que havia reunido R$ 73,3 mil até a manhã desta terça-feira (11).
Procurado para comentar a decisão da Diocese de Jundiaí, o padre informou que não pretende se manifestar neste momento. A excomunhão, porém, produz efeitos diretos sobre o exercício do ministério religioso dele dentro da Igreja Católica.
Diocese considera atos do padre ilícitos após excomunhão
O bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto anunciou a medida e declarou ilícitos os atos ministeriais realizados por Rodrigo a partir da excomunhão. Segundo a Diocese de Jundiaí, determinados sacramentos celebrados pelo sacerdote também deixam de produzir efeitos reconhecidos pela Igreja.
A diocese informou que absolvições concedidas por Rodrigo no sacramento da Penitência não possuem validade e que os casamentos celebrados por ele também são considerados nulos no âmbito da Igreja Católica. Dessa forma, o afastamento vai além da proibição de exercer funções públicas como sacerdote e atinge diretamente atos religiosos realizados por ele.
A decisão segue uma determinação adotada pelo Vaticano no mês passado, segundo a qual bispos, padres e leigos que aderirem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X passam a ser considerados em situação de cisma. A medida ocorreu após a fraternidade ordenar quatro bispos em 1º de julho sem autorização do papa Leão XIV.
Roma classificou essas ordenações como um ato de natureza cismática. Nesse contexto, o episódio representa uma nova ruptura formal envolvendo a mesma fraternidade fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, que já protagonizou um confronto semelhante com o Vaticano décadas atrás.
Para restabelecer a comunhão plena com Roma, integrantes vinculados ao movimento precisam reconhecer formalmente o Concílio Vaticano II e aceitar a autoridade do papa. A FSSPX, contudo, contesta a interpretação de que suas ações representem necessariamente uma ruptura com a Igreja Católica.
Fraternidade mantém tradição anterior ao Concílio Vaticano II

Padre Rodrigo de Oliveira Silva foi excomungado após aderir à Fraternidade São Pio X – Foto: Reprodução
Marcel Lefebvre fundou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X em 1970 como uma reação às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre as transformações do período estão alterações na liturgia, maior aproximação com outras religiões cristãs e uma atuação mais voltada para questões sociais.
A fraternidade mantém o chamado rito tridentino, conhecido como missa tradicional em latim. Nesse formato, o sacerdote celebra boa parte da cerimônia voltado para o altar, diferentemente do modelo que se tornou predominante após as reformas do Concílio Vaticano II.
Atualmente, a FSSPX informa possuir dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, 145 irmãos religiosos, 88 oblatos e 250 religiosas de aproximadamente 50 nacionalidades. Mesmo diante da posição adotada pelo Vaticano, o grupo sustenta que continua pertencendo à Igreja Católica e rejeita a acusação de cisma.
Em sua manifestação pública, a fraternidade argumenta que uma consagração episcopal sem autorização da Santa Sé não representa automaticamente uma ruptura da comunhão quando não existe intenção de criar uma Igreja separada ou estabelecer uma jurisdição independente. O grupo também justifica as ordenações pela necessidade pastoral de atender seus fiéis e pela idade dos bispos que atualmente integram a organização.
Assim, o caso de Rodrigo de Oliveira Silva insere-se em uma disputa mais ampla entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano sobre autoridade papal, tradição litúrgica e os efeitos das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II. Enquanto Roma considera a adesão formal ao grupo incompatível com a plena comunhão com a Igreja, a fraternidade mantém a posição de que não rompeu seus vínculos com o catolicismo.
Com informações do Terra
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