Economia
Cláudio Castro volta a ser alvo da PF em operação sobre fraudes no setor de combustíveis
Segunda fase da Operação Sem Refino cumpre 16 mandados no Rio e investiga suspeitas envolvendo licenças ambientais concedidas à refinaria Refit
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (14), durante a segunda fase da Operação Sem Refino. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços no Estado, incluindo um imóvel ligado ao ex-governador.
Ao todo, a operação cumpre 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis.
Segundo a PF, esta fase busca esclarecer uma possível fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria Refit. Os investigadores suspeitam que autorizações tenham sido concedidas em desacordo com orientações dos órgãos técnicos competentes. Além disso, a corporação apura possível lavagem de dinheiro relacionada ao esquema investigado.
Operação está ligada a decisão do STF
A investigação ocorre no contexto de uma decisão do Supremo na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. Entre outras determinações, o STF estabeleceu que a Polícia Federal deveria investigar a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro e possíveis conexões desses grupos com agentes públicos.
A primeira fase da Operação Sem Refino ocorreu em 15 de maio e também teve Cláudio Castro como alvo. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas contra o ex-governador e outros investigados, enquanto o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, teve a prisão decretada. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros relacionados às empresas investigadas.
Nesta sexta-feira, a Folha de S.Paulo informou que, além de Castro, estão entre os alvos os ex-secretários Bernardo Rossi e José Mauro Júnior. A operação também alcançou outros investigados ligados ao caso. Até a publicação das primeiras informações sobre a operação, a defesa de Cláudio Castro ainda não havia apresentado manifestação sobre esta nova fase.
Castro também foi alvo de investigação sobre Banco Master

Castro também foi alvo no caso Banco Master – Foto: Reprodução
Onze dias depois da primeira fase da Operação Sem Refino, Cláudio Castro foi novamente alvo de buscas, em 26 de maio, desta vez em uma investigação diferente. O caso apura aportes bilionários realizados pelo Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais, em negócios ligados ao Banco Master.
Na investigação sobre o Master, a Polícia Federal passou a analisar a relação entre Castro e Daniel Vorcaro, então controlador da instituição financeira. Segundo documentos da PF divulgados pela imprensa, o Rioprevidência realizou investimentos que chegaram a aproximadamente R$ 3,7 bilhões em produtos ligados ao banco. A defesa de Castro negou irregularidades na conduta do ex-governador.
Entre os elementos analisados pelos investigadores estão encontros de Castro em Nova York durante viagens oficiais. Segundo a PF, Vorcaro custeou em maio de 2023 um jantar para Castro no restaurante Nusr-Et, conhecido por servir cortes de carne folheados a ouro. Registros analisados pela investigação indicaram uma despesa de cerca de US$ 13,3 mil.
Já em maio de 2024, mensagens obtidas pela PF indicaram outro convite de Vorcaro a Castro para um evento com degustação de bebidas em Nova York. Posteriormente, o Rioprevidência realizou novo aporte de R$ 80 milhões no Banco Master. Esses fatos integram a linha de investigação da PF e, por si só, não representam comprovação de participação de Castro em crimes.
Com informações da VEJA
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