Política
PF diz que lobista aparentava ter autorização para agir em nome de Lulinha
Relatório cita mensagens de Roberta Luchsinger e integra novas investigações sobre suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
A Polícia Federal afirmou, em relatório de um novo inquérito, que a empresária Roberta Luchsinger aparentemente tinha autorização para agir em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conclusão aparece na análise de mensagens atribuídas à lobista e utilizadas pela corporação em investigações sobre suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
Em uma das conversas, Roberta dialogava com Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (MDB-MA), sobre a prospecção de negócios junto ao governo. Durante a troca de mensagens, ela afirmou: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”.
A partir desse diálogo, a PF registrou no relatório que “aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”. A afirmação representa uma avaliação dos investigadores e, portanto, não significa comprovação de que Lulinha tenha autorizado a atuação da empresária ou cometido alguma irregularidade.
A defesa de Lulinha contestou as conclusões da Polícia Federal. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, o filho do presidente não pode responder pelas declarações atribuídas a Roberta, enquanto a autenticidade e o contexto integral das mensagens ainda precisam ser analisados pela defesa.
O advogado também classificou as conclusões da PF como “ilações” e acusou setores da corporação de promoverem uma investigação com finalidade eleitoral. Além disso, a defesa afirmou que só apresentará uma manifestação detalhada nos autos depois de obter acesso integral ao material produzido a partir das quebras de sigilo.
Roberta Luchsinger também questionou, por meio da defesa, a divulgação de informações relacionadas ao caso. Os advogados afirmaram que a publicidade em torno de diálogos de um inquérito sigiloso prejudica a investigação e defenderam a apuração da origem dos vazamentos.
Mensagens deram origem a novas frentes de investigação

Mensagens atribuídas a Roberta Luchsinger integram investigação da PF – Foto: Reprodução
Os diálogos atribuídos a Roberta passaram a integrar elementos usados pela Polícia Federal para embasar novas investigações sobre suspeitas envolvendo Lulinha e a empresária. Outras reportagens recentes também apontam que a PF investiga possíveis episódios de tráfico de influência e corrupção ligados ao Ministério da Saúde, à Dataprev e a negócios envolvendo outras áreas do governo federal.
Dois desses inquéritos ficaram sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Já uma terceira investigação foi distribuída ao ministro Flávio Dino e envolve outra frente de suspeitas de tráfico de influência no governo.
As apurações surgiram a partir de elementos colhidos na investigação sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse contexto, a PF também passou a analisar relações entre Lulinha, Roberta e Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Gustavo Gaspar, interlocutor de Roberta em uma das conversas citadas no relatório, também apareceu nas investigações relacionadas ao caso do INSS. Segundo a apuração descrita no material-base, a Polícia Federal suspeita que ele tenha participado da prospecção de negócios junto ao governo em conjunto com Roberta e Antônio Camilo Antunes.
PF analisa pagamentos e compra de joias
Outra parte das mensagens envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República. Roberta fez pagamentos a ele, informação que também apareceu em reportagens anteriores sobre as investigações.
Marcola afirmou publicamente que os valores estavam relacionados a um empréstimo pessoal e sustentou que quitou a operação com o pagamento de R$ 249 mil. Portanto, ele nega que a transação tenha relação com qualquer irregularidade.
A PF também identificou diálogos nos quais Roberta tratava da compra de joias destinadas à mulher de Marcola. Conforme o material analisado pelos investigadores, a empresária chegou a encaminhar informações e imagens relacionadas às peças.
Em outra conversa, Roberta enviou a Marcola a minuta de um contrato envolvendo a venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. Para a Polícia Federal, a mensagem pode indicar uma tentativa de obter ajuda para avançar com o negócio.
No entanto, o próprio material citado na investigação não registra o encaminhamento da minuta para outra instância do governo. Dessa forma, essa parte do episódio permanece no campo das suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
As diferentes frentes de investigação continuam em andamento e não representam condenação dos envolvidos. A defesa de Lulinha afirma que ele não praticou irregularidades e sustenta que apresentará sua manifestação completa quando tiver acesso integral às provas.
Com informações do Estadão
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