Política
Lulinha e Roberta aparecem em mensagens investigadas pela PF
Conversas integram inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência e intermediação de interesses privados junto a órgãos federais
Novas mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger vieram a público nesta quinta-feira (20). Os diálogos fazem parte de um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a atuação dos dois e outros envolvidos em suspeitas de tráfico de influência e intermediação de interesses privados junto ao governo federal.
Os jornalistas Ricardo Chapola e Laryssa Borges, da revista Veja, divulgaram inicialmente o conteúdo após terem acesso ao inquérito. O Poder360 informou que confirmou os dados e publicou novos trechos das conversas analisadas pelos investigadores.
Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Roberta aparecem nas apurações relacionadas à Operação Sem Desconto. A investigação começou com suspeitas envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões e, em fases posteriores, passou a apurar também possíveis crimes de lavagem de dinheiro e a destinação de recursos.
PF aponta possível núcleo de atuação

Mensagens entre Lulinha e Roberta Luchsinger – Foto: Reprodução/Poder360
Segundo o relatório policial divulgado pelas reportagens, a PF identificou indícios de uma atuação coordenada de Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar, amigo e ex-sócio do filho do presidente. Os investigadores afirmam que o grupo teria atuado na interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da administração pública federal.
A PF também cita Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. De acordo com a investigação, os contatos analisados indicariam uma estrutura destinada a aproximar empresários e interessados de integrantes do poder público.
Nesse contexto, a investigação atribui a Roberta o papel de articuladora em diferentes tratativas. Já Lulinha aparece no relatório como uma figura considerada relevante nas negociações, embora, segundo os investigadores, mantivesse menor exposição nas conversas e tratativas diretas.
Os investigadores também encontraram um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”, usado por Lulinha, Roberta e Fernando Bittar para conversar sobre negócios. Segundo a PF, as mensagens são um dos elementos usados para apurar se houve influência indevida na aproximação entre interesses privados e órgãos federais.
Negócios envolvendo Ministério da Saúde
Um dos pontos analisados pela PF envolve a comercialização de medicamentos à base de canabidiol. Segundo o inquérito divulgado pelas reportagens, Antônio Carlos Camilo Antunes pretendia viabilizar um negócio superior a R$ 1 bilhão junto ao Ministério da Saúde.
A suspeita dos investigadores é de que Roberta tenha atuado para facilitar contatos relacionados ao projeto. Ainda segundo a apuração, Lulinha teria participado de tratativas destinadas a facilitar o acesso a integrantes da pasta, hipótese que permanece sob investigação.
A Polícia Federal também analisa interesses do grupo em outros órgãos e empresas federais, entre eles a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e a Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras). Dessa forma, os investigadores buscam determinar o papel de cada pessoa mencionada e se houve alguma prática criminosa nas negociações.
As investigações continuam em andamento. Portanto, as conclusões apresentadas nos relatórios policiais representam hipóteses e suspeitas apuradas pela PF e não equivalem a condenações definitivas dos citados.
Com informações do Poder360
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