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Ex-assessor de Fauci admite tentativa de ocultar e-mails sobre covid-19

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David Morens, ex-assessor de Anthony Fauci

David Morens reconheceu que usou conta pessoal para evitar a divulgação de registros ligados às discussões sobre a origem da pandemia

David Morens, ex-assessor de Anthony Fauci nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), declarou-se culpado de conspirar para ocultar registros federais. Os documentos estavam relacionados às discussões sobre a origem da covid-19. A confissão ocorreu na terça-feira (18), no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Greenbelt, Maryland.

Morens admitiu que transferiu conversas sobre pesquisas com vírus para uma conta pessoal de e-mail. Dessa forma, ele buscava impedir que os registros fossem divulgados publicamente. Segundo o acordo judicial, o ex-assessor também atuou com cientistas de fora do governo federal.

As discussões ocorreram em meio às controvérsias sobre pesquisas realizadas com colaboradores em Wuhan, na China. Morens afirmou que pretendia proteger pesquisadores de acusações que considerava infundadas sobre um possível vazamento de laboratório. No entanto, ele reconheceu que tentou contornar regras federais de preservação e acesso a registros públicos.

E-mails mostraram tentativa de evitar registros oficiais

Mensagens de 2020 e 2021 revelaram discussões de Morens sobre formas de evitar registros nos sistemas oficiais do governo. Posteriormente, uma comissão da Câmara dos Representantes divulgou parte dessas comunicações. Em um dos diálogos, ele mencionou a intenção de aprender como fazer e-mails “desaparecerem”.

Morens também mantinha contato frequente com Peter Daszak, então presidente da EcoHealth Alliance. A organização atua na área de pesquisa científica e perdeu financiamento dos NIH. A decisão ocorreu após controvérsias envolvendo sua colaboração com um laboratório de virologia chinês.

Segundo os documentos judiciais, Morens admitiu ainda ter recebido gratificações consideradas ilegais em troca de ajuda a Daszak. Entre os benefícios estavam duas garrafas de vinho e a promessa de uma futura refeição em um restaurante com estrela Michelin.

Ao mesmo tempo, Morens reconheceu que trabalhou com Daszak e outro cientista na preparação de informações destinadas a Fauci. Contudo, o documento judicial não acusa Anthony Fauci de qualquer irregularidade.

Fauci afirmou desconhecer conduta do ex-assessor

Anthony Fauci

Anthony Fauci durante audiência no Senado dos Estados Unidos – Foto: Reprodução

Fauci comandou por anos o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID). Em depoimento ao Congresso em 2024, ele classificou a conduta de Morens como “errada e inadequada”. Também afirmou que desconhecia o uso de contas pessoais para tratar de assuntos oficiais.

Na ocasião, Fauci disse acreditar que o comportamento do ex-assessor representava um caso isolado. Além disso, negou ter conhecimento de tentativas de ocultação de e-mails por cientistas sob sua supervisão.

A situação voltou a ganhar repercussão diante da pressão de parlamentares republicanos sobre Fauci. No mês passado, ele se recusou a responder a determinadas perguntas durante uma audiência de uma comissão do Senado. Depois disso, os senadores aprovaram uma medida de desacato ao Congresso em votação marcada por divisão partidária.

Antes de deixar a Presidência, Joseph R. Biden Jr. concedeu a Fauci um perdão preventivo. A medida abrangeu sua atuação oficial entre 2014 e 2025.

Sentença será anunciada em novembro

Timothy Belevetz, advogado de Morens, afirmou que o ex-assessor assumiu a responsabilidade pelos próprios atos ao se declarar culpado. A Justiça marcou a sentença para novembro. Morens pode receber pena de até cinco anos de prisão.

Apesar da confissão sobre a ocultação de registros, a investigação não apresentou provas diretas sobre participação na origem da pandemia. Até o momento, não há evidências de que Morens, Fauci ou outras autoridades de saúde tenham participado de pesquisas que deram origem ou propagaram o coronavírus.

Enquanto isso, as agências de inteligência dos Estados Unidos continuam divididas sobre a origem da covid-19. FBI, CIA e Departamento de Energia consideram possível a hipótese de um vazamento de laboratório. Por outro lado, outras cinco agências avaliam como mais provável uma origem não laboratorial.

Estudos científicos também analisaram os primeiros casos, dados genéticos e evidências encontradas no mercado de animais silvestres de Wuhan. Nesse contexto, algumas pesquisas identificaram elementos compatíveis com a transmissão do vírus de animais para seres humanos. Assim, a origem da pandemia continua sem consenso definitivo.


Com informações do Estadão

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