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Avalanche entre Nepal e Tibete deixa 98 mortos e 668 desaparecidos

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Desastre atingiu vilas, estradas e áreas turísticas na fronteira, enquanto autoridades investigam possível relação com terremoto e lago glaciar

Subiu para 98 o número de mortos após a avalanche de lama que atingiu nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete. Além disso, 668 pessoas permanecem desaparecidas, segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades locais.

Do total de mortes, 95 ocorreram no Nepal e três no Tibete. Já entre os desaparecidos, 403 estão no lado nepalês e 265 no território tibetano.

A área atingida reúne vilas, estradas, usinas hidrelétricas e um importante posto de fronteira entre o Nepal e a China. Embora a região tenha baixa densidade populacional, ela também recebe turistas e viajantes que utilizam rotas de peregrinação e trilhas nos Himalaias.

O Conselho de Turismo do Nepal informou que 384 viajantes estão desaparecidos, sendo 341 estrangeiros. Até a atualização mais recente, o Itamaraty ainda não havia informado se há brasileiros entre as pessoas não localizadas.

A avalanche atingiu Syabrubesi, ponto de partida da trilha de Langtang, além de outras áreas utilizadas por viajantes que seguem para a peregrinação hindu de Kailash Mansarovar.

Imagens registradas na região mostram uma grande corrente de lama avançando pelos vales, destruindo casas, pontes, estradas e outras estruturas. Em alguns pontos, comunidades inteiras ficaram cercadas pela água e pelos deslizamentos.

Autoridades investigam causa da inundação

Caminhão tombado e casas danificadas após a inundação no Nepal.

Caminhão tombado e casas danificadas após a inundação no Nepal – Foto: Reprodução

As autoridades também analisam as possíveis causas da tragédia. Um terremoto de magnitude 4,4 ocorreu cerca de sete minutos antes do momento indicado nas imagens do desastre, mas ainda não há confirmação de que o tremor tenha provocado a avalanche.

Outra hipótese em análise envolve o rompimento de um lago glaciar, fenômeno conhecido pela sigla GLOF, em inglês. Esse tipo de ocorrência acontece quando a água acumulada em lagos formados pelo derretimento de geleiras rompe barreiras naturais e desce com grande força pelas áreas montanhosas.

O Nepal está entre os países mais vulneráveis a esse tipo de desastre por causa do rápido derretimento de geleiras nos Himalaias. Além disso, muitos lagos glaciares ficam no Tibete e alimentam rios que descem em direção ao território nepalês.

A região também enfrenta a temporada de monções, que provoca chuvas intensas entre junho e setembro. Inundações e deslizamentos são frequentes nesse período, mas a dimensão da destruição registrada agora chamou atenção das autoridades.

Em julho de 2025, o vale do Rio Bhote Koshi já havia registrado uma inundação associada ao rompimento de um lago glaciar, episódio que deixou 17 pessoas desaparecidas. Por isso, investigadores avaliam se um fenômeno semelhante pode ter contribuído para o desastre atual.

O distrito de Rasuwa, no Nepal, foi uma das regiões mais afetadas. Equipes de resgate enfrentaram dificuldades para chegar a alguns pontos porque as condições do terreno impediram o pouso de helicópteros.

No Tibete, um deslizamento atingiu uma passagem terrestre entre os dois países. Entre os desaparecidos estão oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.

Segundo a agência chinesa Xinhua, a avalanche também atingiu um porto local e interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que policiais e militares participam das operações de resgate. O Exército nepalês informou que já conseguiu retirar 88 pessoas das áreas atingidas.


Com informações do g1

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