Brasil
Tela vazada mostra assessor de Michelle em contato com jornalista de site petista
Print expõe conversa de assessor de Michelle com jornalista do Brasil 247
Um detalhe nos segundos finais de um vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro acabou abrindo uma nova polêmica nos bastidores políticos.
Segundo publicação do site A Investigação, a gravação de tela, feita a partir de um status de WhatsApp, teria exibido a lista de conversas de um jornalista ligado ao Brasil 247. Entre os contatos mostrados, aparecem nomes associados à assessoria de Michelle Bolsonaro, à Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal e ao núcleo de comunicação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
O vídeo circulou nas redes sociais no dia 23 de julho de 2026 e mostrava um trecho em que Michelle falava sobre ter se recolhido e tentado se afastar das articulações políticas, em meio ao gesto de reconciliação com Flávio.
A crise entre os dois havia se tornado pública em junho, quando Michelle afirmou que teria sido “maltratada e humilhada” pelo senador. O episódio se arrastou por cerca de um mês, até o pedido de desculpas de Flávio.
O que apareceu na tela
De acordo com a reportagem, a tela final da gravação mostrou uma lista de conversas do WhatsApp atribuída a um jornalista identificado como “Leo”, ligado ao Brasil 247.
Entre os contatos exibidos estavam:
André Costa, salvo como “Ascom Michelle Bol.”;
um contato identificado como “Gisely STF”;
e um grupo chamado “Comunicação Zema”.
A reportagem afirma que André Costa, assessor de Michelle Bolsonaro, teria oferecido ao jornalista materiais de sua lista de transmissão. Na conversa mostrada no print, o jornalista responde que seria um prazer receber os conteúdos e conhecê-lo pessoalmente.
O episódio ganhou repercussão porque o Brasil 247 é identificado com linha editorial favorável ao campo petista, enquanto Michelle Bolsonaro é uma das principais figuras do bolsonarismo.
Histórico de tensão com Flávio
O texto também relembra episódios anteriores envolvendo André Costa e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo a publicação, em dezembro de 2025, antes da confirmação oficial da candidatura de Flávio, Costa teria enviado mensagem a uma lista de transmissão questionando a informação de que o senador entraria na disputa presidencial.
Pouco depois, a própria Michelle publicou uma mensagem desejando sabedoria a Flávio em sua nova missão pelo Brasil, confirmando o movimento político que o assessor havia colocado em dúvida.
Ainda de acordo com a reportagem, parlamentares do PL também teriam reclamado, naquele período, de repostagens feitas por Costa nas redes sociais com conteúdos críticos ou desfavoráveis a Flávio.
Questionado na época, o assessor negou atuar contra o senador e afirmou estar “fechado” com ele.
Contato ligado ao STF também aparece
Outro ponto destacado pela reportagem é a presença de um contato salvo como “Gisely STF”, que o texto associa a Giselly Siqueira, secretária de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal.
A publicação menciona ainda que Giselly já foi citada em outros episódios envolvendo a comunicação do Judiciário e o entorno do ministro Alexandre de Moraes.
Não há, no material enviado, indicação de conteúdo comprometedor na mensagem atribuída ao contato. Segundo o texto, a última mensagem exibida era apenas um agradecimento.
Grupo de Zema na lista
A tela também teria mostrado um grupo chamado “Comunicação Zema”, ligado ao núcleo de assessoria do governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Para a reportagem, a presença desse grupo na mesma lista de contatos chamaria atenção por envolver atores de campos políticos diferentes: bolsonarismo, centro-direita e ambiente institucional do Supremo.
O que diz André Costa
Em nota divulgada pelo portal O Antagonista e reproduzida no texto, o coronel André Costa afirmou que o fragmento da mensagem circulou fora de contexto e com intenção de distorcer os fatos.
Segundo ele, um jornalista identificado como Leo Sobreira o procurou em julho de 2026 pedindo esclarecimentos sobre uma postagem de Michelle Bolsonaro.
Costa afirma que forneceu a versão oficial para evitar informações equivocadas e, ao final da conversa, ofereceu incluir o jornalista em uma lista de distribuição de informações oficiais.
O assessor disse ainda que esse é um procedimento normal de assessorias de comunicação e negou qualquer intenção de prejudicar alguém.
Ele classificou como “incorreta, maldosa e descabida” a interpretação de que estaria oferecendo material de forma maliciosa.
Caso reacende disputa interna
O episódio volta a jogar luz sobre as tensões dentro do campo da direita e sobre a relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
Embora o print não prove, por si só, qualquer irregularidade, a exposição dos contatos provocou questionamentos sobre a circulação de informações entre assessorias de grupos políticos que publicamente se apresentam em campos opostos.
O caso também mostra como um erro aparentemente simples em uma gravação de tela pode revelar bastidores sensíveis da comunicação política em ano pré-eleitoral.
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