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Economia

Habib’s entra em recuperação com dívida de R$ 265 milhões

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Fachada de restaurante da rede Habib’s

Justiça autorizou o processo de reestruturação do Grupo Gennius, que afirma que restaurantes continuam funcionando normalmente.

O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, entrou em recuperação judicial após a Justiça de São Paulo aceitar o pedido de reestruturação financeira na terça-feira (25). O grupo declarou dívidas de R$ 265,2 milhões e terá cerca de 60 dias para apresentar aos credores um plano para reorganizar os pagamentos.

Apesar do processo, não existe determinação judicial para o fechamento dos restaurantes. Segundo a empresa, as operações e o atendimento seguem normalmente. Além disso, as unidades franqueadas não fazem parte da recuperação judicial.

O processo reúne 178 empresas e dois produtores rurais. A Justiça também nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial, responsável por acompanhar a situação financeira do grupo e fiscalizar o cumprimento das obrigações durante a recuperação.

Grupo aponta três fatores para crise financeira

No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Gennius relaciona a crise principalmente aos efeitos da pandemia de Covid-19, às mudanças no comportamento dos consumidores e ao aumento dos juros.

Segundo a empresa, as restrições impostas durante a pandemia reduziram o movimento das unidades instaladas em grandes centros urbanos. Posteriormente, a expansão do trabalho remoto e híbrido manteve parte dessa mudança na rotina dos consumidores.

Ao mesmo tempo, o crescimento do delivery alterou a forma de consumo. Embora as entregas tenham ajudado a sustentar as vendas, o grupo afirma que a redução do movimento presencial pressionou o desempenho das lojas físicas.

Além disso, a alta da taxa básica de juros aumentou o custo das dívidas assumidas para manter as operações. Com isso, uma parcela maior do caixa passou a financiar juros e compromissos financeiros, reduzindo os recursos disponíveis para o funcionamento do negócio.

Fundado em 1987, o Habib’s possui 119 lojas no Brasil. Já o Ragazzo conta com 26 unidades, enquanto a Tendall opera seis churrascarias. O grupo também reúne empresas ligadas à estrutura de franquias e a outras etapas da operação.

Recuperação não determina fechamento de lojas

Unidade do Habib’s, rede controlada pelo Grupo Gennius.

Unidade do Habib’s, rede controlada pelo Grupo Gennius – Foto: Reprodução

A recuperação judicial busca permitir que uma empresa continue funcionando enquanto negocia suas dívidas com os credores. Portanto, o início do processo não provoca automaticamente o encerramento das unidades do Habib’s, do Ragazzo ou da Tendall.

No entanto, o futuro plano de recuperação poderá prever mudanças na estrutura do negócio. Entre as possibilidades estão o fechamento de unidades deficitárias, a venda de ativos ou outras medidas para reduzir despesas e reorganizar as finanças.

A decisão judicial também suspendeu temporariamente parte das ações e cobranças contra as empresas que integram o processo, dentro das condições previstas na legislação. Além disso, credores não podem encerrar contratos exclusivamente por causa do pedido de recuperação judicial.

A situação também não provoca demissões automáticas. Os salários referentes ao período posterior ao pedido continuam sob responsabilidade das empresas, enquanto débitos trabalhistas anteriores entram no processo de recuperação conforme as regras e prioridades legais.

Dívida supera R$ 265 milhões

O Grupo Gennius informou à Justiça um passivo total de R$ 265.207.959,83. Desse montante, aproximadamente R$ 22,3 milhões correspondem a dívidas trabalhistas.

Outros R$ 241,7 milhões envolvem credores sem garantia específica de pagamento, categoria que pode incluir bancos, fornecedores e outros parceiros comerciais. Além disso, cerca de R$ 1,15 milhão corresponde a débitos com micro e pequenas empresas.

Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo tentou renegociar diretamente os compromissos financeiros. Em 25 de junho, pediu proteção temporária contra cobranças enquanto buscava um acordo com os credores por meio de mediação.

A negociação previa um período de 60 dias. Entretanto, segundo o grupo, a iniciativa não conseguiu resolver as dificuldades financeiras.

A empresa relatou ainda retenção de recursos por instituições financeiras e risco de interrupção de serviços considerados essenciais. Entre eles estavam sistemas de tecnologia utilizados nas vendas, na gestão e em outras atividades das redes.

Diante desse cenário, o Grupo Gennius protocolou o pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24). A Justiça autorizou o processamento no dia seguinte.

O que acontece agora?

O próximo passo será a apresentação do plano de recuperação judicial. O Grupo Gennius terá aproximadamente 60 dias para detalhar como pretende reorganizar e pagar suas dívidas enquanto mantém as empresas em funcionamento.

Depois disso, os credores poderão analisar e negociar as condições apresentadas. O plano poderá estabelecer novos prazos, descontos, formas de pagamento e outras medidas permitidas pela legislação.

Enquanto o processo estiver em andamento, o grupo também deverá apresentar informações financeiras e prestar contas à Justiça. Por sua vez, a KPMG Corporate Finance acompanhará a recuperação na condição de administradora judicial.

Caso o grupo não apresente o plano dentro do prazo legal ou não consiga cumprir determinadas exigências do processo, a recuperação poderá enfrentar consequências previstas em lei, inclusive eventual conversão em falência.

Por enquanto, porém, a recuperação judicial não significa o fechamento do Habib’s. O processo busca justamente permitir a continuidade das atividades enquanto o Grupo Gennius tenta renegociar o passivo e recuperar sua capacidade financeira.


Com informações do g1

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