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Funcionários são resgatados de situação análoga à escravidão no Recife

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Alojamento em obra de Boa Viagem

Grupo atuava em obra de Boa Viagem e enfrentava alojamento precário, alimentação deteriorada, jornadas abusivas e falta de depósitos do FGTS

Uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 12 trabalhadores de condições análogas à escravidão em uma obra de construção civil no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A Auditoria-Fiscal do Trabalho realizou a inspeção em 8 de setembro e encontrou problemas no alojamento, na alimentação e na jornada de trabalho.

Segundo os auditores-fiscais, a maioria dos trabalhadores veio do interior de Pernambuco e permanecia no Recife durante a semana para trabalhar na obra. Eles retornavam para casa apenas nos fins de semana.

A fiscalização encontrou colchões sujos, finos e rasgados, além de instalações improvisadas. Os trabalhadores também relataram alimentação de baixa qualidade e alimentos deteriorados, incluindo comidas azedas.

Além disso, os auditores identificaram jornadas abusivas, com horas extras frequentes aos sábados, domingos e feriados sem o pagamento correto. No dia da fiscalização, a empresa ainda não havia pago os salários do mês e também mantinha pendências nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O nome da empresa responsável pelos trabalhadores não foi divulgado.

Alojamento tinha sujeira, fiação exposta e presença de ratos

Instalações precárias em alojamento no Recife

Alojamento de trabalhadores em obra de Boa Viagem tinha área improvisada para preparo de alimentos e banheiro em condições precárias. | Foto: Reprodução

De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, um dos alojamentos não oferecia acesso direto a banheiro. Com isso, os trabalhadores precisavam subir ou descer três andares da obra para utilizar instalações sanitárias.

Os próprios carpinteiros da obra improvisaram beliches, portas e janelas. Além disso, os trabalhadores guardavam roupas, documentos e outros pertences pessoais nas camas por falta de estrutura adequada.

A fiscalização também encontrou fiações elétricas expostas. Ao mesmo tempo, parte dos trabalhadores preparava refeições em fogões de resistência elétrica instalados dentro dos quartos.

Segundo os relatos reunidos pelos auditores, o alojamento sofria com invasões frequentes de ratos, baratas e grande quantidade de mosquitos. Os próprios trabalhadores também faziam a limpeza das áreas comuns, em sistema de revezamento e fora do horário de trabalho.

A água utilizada no alojamento vinha de caminhão-pipa. Conforme os relatos, ela apresentava gosto ruim e forte presença de cloro.

Alimentação precária e risco na obra

Os auditores também apontaram problemas no fornecimento de comida. Em algumas ocasiões, segundo a fiscalização, o jantar consistia apenas em cuscuz seco e meio ovo.

Além disso, os trabalhadores relataram episódios de alimentos azedos e problemas gastrointestinais recorrentes. A fiscalização considerou que as condições encontradas não atendiam aos padrões mínimos de dignidade, saúde, segurança e conforto previstos na legislação trabalhista.

Após o resgate, os 12 trabalhadores deixaram as atividades e terão direito ao Seguro-Desemprego. A empresa deverá responder judicialmente pelas irregularidades apontadas pela fiscalização.

Os auditores também interditaram três andares do empreendimento por identificarem risco iminente de queda durante trabalhos em altura.

O caso ocorre pouco mais de um mês depois de outra ação semelhante no Recife. Em agosto, a fiscalização retirou 14 trabalhadores de um alojamento localizado na Imbiribeira, também na Zona Sul da capital pernambucana.


Com informações do g1

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