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Recifense passa mais de 2 horas por dia no trânsito, aponta pesquisa

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Tempo médio diário de deslocamento chegou a 2h07 em 2026, 17 minutos a mais que no ano passado; usuários do transporte público enfrentam trajetos ainda mais longos

O tempo perdido no trânsito passou a pesar ainda mais na rotina de quem vive e trabalha no Recife. Em 2026, os moradores da capital pernambucana gastam, em média, 2 horas e 7 minutos por dia em deslocamentos, segundo o estudo “Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana 2026”, realizado pelo Ipsos-Ipec.

O resultado representa um aumento de 17 minutos em apenas um ano. Em 2025, a média diária era de 1h50.

Na prática, o avanço significa menos tempo disponível para atividades como estudo, exercícios físicos, descanso e convivência familiar.

A corretora de seguros Gislayne Kelly Nascimento, de 29 anos, conhece bem esse impacto. Moradora de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, ela sai de casa por volta das 6h30 para trabalhar no Recife Antigo. Na volta, o trajeto pode levar até duas horas e meia.

“Meia hora daria para adiantar muita coisa, seja nos estudos, seja na academia. Muitas vezes, a gente quer praticar um esporte ou fazer uma atividade depois do expediente, mas, com esse tempo que leva para chegar em casa, acaba ficando cansada”, relata.

Recife volta a ser a capital mais congestionada do Brasil e faz morador perder 130 horas por ano

TomTom Traffic Index aponta índice de congestionamento de 64,7% na capital pernambucana, acima de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte

Recife voltou a ocupar uma posição nada confortável no cenário nacional da mobilidade urbana. A capital pernambucana foi apontada novamente como a capital mais congestionada do Brasil, segundo dados do TomTom Traffic Indexreferentes a 2025.

O levantamento mostra que o Recife registrou índice médio de congestionamento de 64,7%, resultado superior ao observado em outras grandes capitais brasileiras, como Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Além de liderar o ranking proporcional de lentidão, o recifense perdeu, em média, 130 horas ao longo do ano preso em congestionamentos durante os horários de pico.

O número equivale a mais de cinco dias inteiros gastos apenas em atrasos provocados pelo trânsito.

Congestionamento aumentou em relação a 2024

Os dados mostram ainda que a situação piorou em comparação ao ano anterior.

O índice de congestionamento do Recife avançou 3,8 pontos percentuais em relação a 2024, reforçando um problema que já se repete há vários anos.

A capital pernambucana aparece à frente de Porto Alegre, com 59,6%, Belo Horizonte, com 58,6%, São Paulo, com 58,5%, e Rio de Janeiro, com 57,8%.

Fortaleza aparece na sequência, com 56,9%, enquanto Curitiba registrou índice de 54%.

Apesar de o Recife liderar em nível proporcional de congestionamento, Curitiba apresentou a maior quantidade de horas perdidas nos horários de pico entre as cidades citadas, com 135 horas por ano. São Paulo aparece com 132 horas, enquanto Recife soma 130.

Recife supera São Paulo e Rio em nível de lentidão

O dado chama atenção principalmente porque Recife possui população e extensão urbana menores que metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.

Ainda assim, proporcionalmente, a capital pernambucana registra trânsito mais congestionado.

O problema é antigo. Em levantamentos anteriores, Recife já figurava entre as cidades brasileiras com maiores dificuldades de mobilidade, inclusive durante o período de redução do tráfego provocado pela pandemia de Covid-19.

Com a retomada das atividades presenciais, os congestionamentos voltaram a crescer e mantiveram a cidade no topo do ranking nacional.

Brasil também aparece mal no cenário sul-americano

O levantamento da TomTom também coloca o Brasil entre os países com maiores problemas de trânsito na América do Sul.

Segundo os dados apresentados, o país aparece atrás de Colômbia, Peru e Chile no ranking regional de congestionamento.

No Brasil, o nível médio de congestionamento informado pelo estudo é de 41,7%, com velocidade média de 29,8 km/h.

Em 15 minutos, um motorista brasileiro percorre, em média, aproximadamente 7,4 quilômetros.

Nas grandes metrópoles, porém, o desempenho pode ser ainda pior.

Em São Paulo, por exemplo, a velocidade média indicada pelo levantamento é de 21,7 km/h, o que permite percorrer cerca de 5,47 quilômetros em 15 minutos.

No Rio de Janeiro, a velocidade média chega a 27,84 km/h, com deslocamento de aproximadamente 6,92 quilômetros no mesmo intervalo.

Veja o ranking de congestionamento entre as capitais analisadas

O levantamento apresenta o Recife na primeira posição, seguido por outras grandes cidades brasileiras:

  1. Recife — 64,7%
  2. Porto Alegre — 59,6%
  3. Belo Horizonte — 58,6%
  4. São Paulo — 58,5%
  5. Rio de Janeiro — 57,8%
  6. Fortaleza — 56,9%
  7. Curitiba — 54%

Os números reforçam um problema estrutural que afeta diretamente a rotina da população, com impacto no tempo gasto em deslocamentos, no transporte público, na produtividade e na qualidade de vida.

No caso do Recife, os dados mostram que o congestionamento continua sendo um dos principais desafios urbanos da capital.

Ônibus lotado e congestionamentos ampliam desgaste

Gislayne utiliza ônibus diariamente e afirma que o tempo de viagem varia de acordo com o trânsito e a espera pelo coletivo. Entre os pontos mais complicados, ela cita a Avenida Domingos Ferreira e a região do Cabanga, principalmente nos horários de pico.

Além da demora, há também o desconforto dentro dos veículos.

“Às vezes, vou em pé dentro do ônibus. Quando chego em casa, só quero tomar meu banho, jantar e dormir. Principalmente eu, que faço um trajeto longo”, afirma.

Ela defende alternativas que reduzam a pressão tanto sobre os ônibus quanto sobre as ruas, como sistemas de carona compartilhada entre trabalhadores.

Sair de manhã e voltar só à noite

A realidade se repete em outras regiões da cidade.

Moradora de Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife, Janaína Menezes, de 51 anos, sai de casa por volta das 6h50 e costuma retornar apenas cerca de 12 horas depois.

Segundo ela, o percurso de volta pode ultrapassar uma hora.

“Se o trânsito fosse melhor eu chegaria em casa mais cedo para me organizar, cuidar das coisas, ir à academia e também teria menos cansaço no dia seguinte.”

Já Márcia Luana, promotora de vendas e moradora da Imbiribeira, relata que percebeu melhora recente no trajeto depois de mudanças na circulação da Rua Imperial. Ainda assim, considera que ampliar as alternativas viárias e oferecer ônibus de melhor qualidade poderia incentivar mais pessoas a deixar o carro em casa.

Transporte público consome ainda mais tempo

O levantamento mostra que a diferença entre quem depende do transporte coletivo e quem utiliza meios individuais é significativa.

Nas dez capitais analisadas, usuários do transporte público passam, em média, 2h17 por dia em deslocamentos. Entre aqueles que priorizam carro, motocicleta ou outros meios individuais, o tempo cai para 1h47.

A diferença chega a 30 minutos por dia.

O estudo também mostra que 42% dos entrevistados gastam mais de 1h30 diariamente em deslocamentos.

Ao todo, 54% apontaram algum tipo de transporte coletivo como principal meio de locomoção, enquanto 44% priorizam meios individuais.

Considerando também quem utiliza transporte público de forma secundária, 78% afirmaram usar algum sistema coletivo.

Transporte coletivo ganha espaço no Recife

No Recife, aumentou a participação do transporte público na rotina dos entrevistados.

A parcela de pessoas que apontou o transporte coletivo como meio mais frequente passou de 50% em 2025 para 59% em 2026.

Quando considerados especificamente ônibus, BRT e MOVE, o percentual avançou de 36% para 44% no mesmo período.

O cenário chama atenção porque o aumento da dependência do sistema coletivo ocorre ao mesmo tempo em que cresce o tempo gasto diariamente nos deslocamentos.

Pesquisa ouviu moradores de dez capitais

O levantamento “Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana 2026” foi realizado pelo Ipsos-Ipec entre os dias 1º e 20 de julho.

Foram feitas 3,5 mil entrevistas on-line em dez capitais brasileiras, incluindo o Recife. Participaram pessoas com 16 anos ou mais e usuárias de internet.

Para os dados específicos da capital pernambucana, a margem de erro estimada é de seis pontos percentuais.

Os resultados refletem as respostas dos entrevistados e devem ser interpretados dentro dos limites da metodologia utilizada.

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