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Mercado entra em choque após reeleição de Lula: dólar chega a R$ 5,60 e Bolsa despenca 16%

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Ibovespa acionou circuit breaker pela primeira vez desde 2020, enquanto juros futuros dispararam até 182 pontos-base e Tesouro cancelou leilões

O mercado financeiro brasileiro abriu esta segunda-feira (26) sob forte pressão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar chegou a R$ 5,6048 na máxima do dia, enquanto o Ibovespa caiu mais de 16% depois de ter as negociações interrompidas pelo mecanismo de circuit breaker.

Por volta das 10h50, a moeda norte-americana avançava 10,28%, negociada a R$ 5,5063. Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, o dólar havia fechado a R$ 4,9930, com queda de 0,90%.

Na Bolsa, o movimento foi ainda mais intenso. O Ibovespa caiu mais de 10% logo nos primeiros minutos do pregão, levando a B3 a acionar o circuit breaker e suspender as negociações por 30 minutos. Após a retomada, o índice chegou a recuar mais de 16%, para a região dos 171 mil pontos.

Foi a primeira vez desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19, que o mecanismo precisou ser utilizado na Bolsa brasileira.

Juros futuros também disparam

A reação não ficou restrita ao dólar e às ações.

Os juros futuros de longo prazo chegaram a subir 182 pontos-base, em um forte movimento de reprecificação dos ativos brasileiros. O contrato de DI para janeiro de 2031 atingiu máxima de 14,46%, contra 12,641% no ajuste da sexta-feira anterior.

As taxas chegaram aos limites máximos de oscilação definidos pela B3 e entraram em leilão. A Bolsa precisou estabelecer novos limites para alguns contratos diante da intensidade dos movimentos.

O Tesouro Nacional também anunciou o cancelamento dos leilões de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para esta semana, em meio à volatilidade do mercado.

Resultado eleitoral surpreendeu parte do mercado

A forte reação ocorreu depois de Lula vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e garantir um quarto mandato.

Parte do mercado vinha precificando nas semanas anteriores uma vitória de Flávio. Por isso, a confirmação do resultado provocou uma rápida revisão das expectativas para política fiscal, dívida pública, juros e câmbio.

Analistas ouvidos pela Reuters antes da abertura já projetavam pressão sobre o real, queda de ações e avanço dos juros, destacando que o comportamento dos ativos dependeria principalmente dos sinais do novo governo sobre gastos, dívida e ajuste fiscal.

A reação do mercado não significa, porém, que toda a volatilidade possa ser atribuída exclusivamente ao resultado eleitoral. Investidores também acompanham o cenário internacional, os preços do petróleo, decisões de bancos centrais e a possibilidade de judicialização da eleição.

Política fiscal vira principal foco

Depois da reação inicial, o foco passa a ser a sinalização do governo para o próximo mandato.

O mercado acompanha especialmente a escolha da equipe econômica, o controle das despesas obrigatórias, o comportamento da dívida pública e o cumprimento das metas fiscais.

Segundo analistas, uma sinalização considerada crível de ajuste fiscal poderá ajudar a reduzir a pressão sobre os ativos. Por outro lado, dúvidas prolongadas sobre gastos e endividamento tendem a manter o prêmio de risco elevado.

Circuit breaker tenta conter movimentos extremos

O circuit breaker é um mecanismo criado para interromper temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas.

Pelas regras tradicionais da B3, uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior provoca uma paralisação de 30 minutos. Caso o índice recue 15% após a retomada, ocorre nova interrupção, normalmente por uma hora.

O objetivo é reduzir movimentos desordenados e permitir que os investidores reavaliem suas posições antes da retomada dos negócios.

Nesta segunda-feira, a intensidade da reação levou a B3 a também alterar limites de negociação para diferentes contratos futuros.

Ativos brasileiros já haviam caído no exterior

Antes mesmo da abertura da Bolsa no Brasil, ativos brasileiros negociados no exterior já indicavam uma sessão turbulenta.

O EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a cair mais de 26% no pré-mercado. Contratos futuros do Ibovespa também recuaram quase 15% nas primeiras negociações.

A dimensão final das perdas e da alta do dólar dependerá do comportamento do mercado ao longo do restante do pregão.

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