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Dos EUA, Flávio fala em nova disputa presidencial antes de 2030 e promete liderar oposição à distância

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Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo realizada dos Estados Unidos

Senador cita quase 60 milhões de votos, diz que pode voltar a disputar o Planalto e anuncia reação jurídica contra medidas de Alexandre de Moraes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, na noite desta sexta-feira (30), que está disposto a disputar novamente a Presidência da República antes de 2030. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na primeira aparição em vídeo do parlamentar desde que deixou o Brasil e passou a atuar politicamente a partir dos Estados Unidos.

“Se for preciso para disputar a Presidência da República de novo”, afirmou Flávio. Em seguida, acrescentou que não estava falando de 2030, mas de uma eventual disputa anterior.

O senador, no entanto, não explicou em qual hipótese jurídica ou política acredita que poderia ocorrer uma nova eleição presidencial antes do calendário regular.

Pela Constituição, a eleição presidencial seguinte está prevista para 2030. Qualquer antecipação dependeria de uma situação institucional excepcional prevista no ordenamento jurídico.

Flávio cita quase 60 milhões de votos

Durante a transmissão, Flávio voltou a destacar a votação recebida no segundo turno.

Ele obteve 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79%, e foi reeleito presidente da República.

Flávio afirmou que seus votos teriam vindo de “eleitores reais”, numa nova insinuação sobre a legitimidade da votação recebida pelo adversário.

Até agora, porém, o senador não apresentou provas de fraude eleitoral.

O PL, inclusive, reconheceu oficialmente o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

TSE registrou pouco mais de 34 mil votos após as 17h

Flávio também voltou a questionar a extensão do horário de votação no segundo turno.

Segundo dados divulgados pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral, 34.393 votos foram registrados depois das 17h em todo o território nacional. A diferença entre Lula e Flávio foi superior a 4,4 milhões de votos.

A decisão do STF permitiu que seções que ainda estivessem abertas continuassem recebendo eleitores até as 19h. Urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu que a medida gerou dificuldades técnicas e operacionais, mas afirmou que a eleição foi concluída com segurança e que o resultado foi proclamado normalmente.

Senador promete reação jurídica

Na live, Flávio também voltou a criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega de seus passaportes e restringiu sua saída do país.

O senador classificou a medida como perseguição política e disse que seus advogados adotarão providências jurídicas.

Ele não detalhou quais medidas serão apresentadas.

Flávio afirmou que tomou conhecimento da restrição após visitar o pai, Jair Bolsonaro, e disse que decidiu deixar o Brasil em sigilo para aumentar as chances de concluir a viagem.

“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”

Durante a transmissão, o senador também tentou justificar a saída do país.

“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou.

Flávio afirmou que deixou o país para preservar sua capacidade de atuação política e disse que pretende exercer a liderança da oposição a partir dos Estados Unidos.

Ele também reafirmou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e disse considerar o Congresso, especialmente a Casa Alta, a principal frente de resistência ao próximo governo Lula.

Discurso ocorre em meio à reorganização da direita

A manifestação acontece enquanto outros nomes da direita já se movimentam para o próximo ciclo político.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, admitiu publicamente que uma eventual candidatura presidencial em 2030 pode ser discutida no futuro, enquanto lideranças do PL e de outros partidos disputam espaço no Congresso e na reorganização da oposição.

A fala de Flávio sobre uma nova eleição antes de 2030 adiciona mais um elemento a esse cenário, mas, até o momento, não há convocação de nova eleição presidencial nem mecanismo em curso que antecipe o pleito de 2030.

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