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Onda democrata toma Congresso, vira redutos republicanos e impõe forte revés a Trump nos EUA
Democratas conquistam Câmara e Senado, vencem no Texas e em outros estados conservadores e registram vitórias históricas nas eleições de meio de mandato
As eleições de meio de mandato de 2026 provocaram uma ampla mudança no cenário político dos Estados Unidos. Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, avançaram em estados tradicionalmente republicanos e impuseram um forte revés político ao presidente Donald Trump na metade de seu segundo mandato.
A Associated Press confirmou que o partido alcançou as maiorias necessárias nas duas Casas do Congresso. A Reuters também classificou o resultado como uma ampla retomada democrata, impulsionada pela insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida, a guerra com o Irã e a condução do governo.
Democratas retomam Câmara e Senado
Na Câmara dos Representantes, os democratas ultrapassaram as 218 cadeiras necessárias para garantir a maioria.
O partido conseguiu virar distritos que estavam sob domínio republicano e frustrou a estratégia do Partido Republicano de ampliar sua bancada por meio do redesenho de distritos eleitorais.
No Senado, onde os republicanos mantinham vantagem antes da votação, os democratas também conquistaram cadeiras suficientes para assumir o controle.
A AP informou que o domínio das duas Casas foi definido de forma relativamente rápida, diferentemente de eleições anteriores em que a definição da maioria demorou vários dias.
Senado tem viradas em estados conservadores
A retomada do Senado passou por vitórias democratas em estados nos quais os republicanos historicamente apresentam forte desempenho.
Entre as principais mudanças estão resultados em Texas, Iowa, Kansas, Ohio, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul.
A dimensão dessas vitórias surpreendeu inclusive lideranças democratas e consolidou a mudança do equilíbrio de forças no Congresso.
Texas protagoniza uma das maiores viradas
O Texas foi um dos símbolos da noite eleitoral.
O democrata James Talarico venceu a disputa para o Senado contra o republicano Ken Paxton, enquanto Gina Hinojosaderrotou o governador Greg Abbott.
A vitória de Hinojosa encerrou cerca de três décadas de domínio republicano no governo estadual e fez dela a primeira latina eleita governadora do Texas.
O resultado também reforçou a percepção de que o Texas, historicamente fundamental para o Partido Republicano em eleições nacionais, passou a apresentar uma disputa política mais competitiva.
Abdul El-Sayed faz história em Michigan

Outra vitória de grande repercussão ocorreu em Michigan.
O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, derrotou o republicano Mike Rogers e tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos.
Ex-gestor de saúde pública, El-Sayed construiu sua campanha em torno de propostas como redução do custo de vida, ampliação do sistema público de saúde e diminuição da influência de grandes doadores corporativos na política.
Durante a campanha, sua religião foi alvo de ataques de adversários republicanos, que levantaram suspeitas sobre supostas ligações com grupos islâmicos. El-Sayed negou as acusações, e não foram apresentadas provas que sustentassem essas ligações.
Sua eleição também representa uma vitória importante para a ala progressista do Partido Democrata.
Primeira mulher negra eleita governadora dos EUA
As eleições de 2026 também produziram uma série de marcos históricos.
Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora e tornou-se a primeira mulher negra eleita para comandar um estado na história dos Estados Unidos.
A ex-prefeita de Atlanta derrotou o republicano Rick Jackson e colocou novamente o governo estadual sob controle democrata.
A vitória ocorreu em um estado que se tornou um dos principais campos de disputa entre democratas e republicanos nas últimas eleições nacionais.
Califórnia e Novo México também registram marcos
Na Califórnia, o democrata Xavier Becerra venceu a eleição para governador ao derrotar o republicano Steve Hilton.
Becerra se tornou o primeiro latino eleito governador da Califórnia, estado com uma das maiores populações latinas do país.
No Novo México, a eleição também teve peso histórico com a candidatura de Deb Haaland, integrante do povo Laguna Pueblo e ex-secretária do Interior dos Estados Unidos.
As eleições estaduais de 2026 ficaram marcadas por um número incomum de candidaturas que romperam barreiras de representação racial, étnica e religiosa.
Voto econômico pesou contra republicanos
O custo de vida apareceu como uma das principais preocupações dos americanos.
Pesquisas realizadas durante a votação mostraram insatisfação com preços de alimentos, combustíveis, moradia e outros gastos cotidianos.
A guerra com o Irã e o impacto do conflito sobre os preços da energia também contribuíram para o desgaste republicano.
A Reuters identificou ainda mudanças importantes entre eleitores jovens e latinos, segmentos que haviam apresentado avanços republicanos em eleições anteriores.
Resultado limita poder de Trump
A mudança no Congresso deverá afetar diretamente os dois últimos anos do mandato de Donald Trump.
Com os democratas controlando Câmara e Senado, o governo passa a enfrentar dificuldades maiores para aprovar projetos de lei, mudanças tributárias e partes importantes de sua agenda.
O Congresso também controla a aprovação do orçamento federal e possui instrumentos para convocar integrantes do governo, requisitar documentos e abrir investigações parlamentares.
No Senado, a nova maioria democrata também passa a ter influência decisiva sobre nomeações presidenciais, incluindo juízes federais e eventuais indicações à Suprema Corte.
Impeachment é possível, mas destituição exige dois terços
Com maioria na Câmara, os democratas passam a ter votos para iniciar um processo de impeachment contra o presidente caso haja fundamento e decisão política para fazê-lo.
Isso, porém, não significa que Trump poderia ser automaticamente retirado do cargo.
Depois de aprovado pela Câmara, um impeachment precisa do apoio de dois terços do Senado para resultar na destituição do presidente — patamar muito superior à maioria simples conquistada pelos democratas.
Trump ainda mantém poder de veto
Apesar da derrota eleitoral do Partido Republicano, Trump conserva importantes poderes constitucionais.
O presidente pode vetar projetos aprovados pelo Congresso.
Para derrubar um veto presidencial, Câmara e Senado precisam alcançar uma maioria de dois terços, algo que os democratas não possuem.
O cenário, portanto, tende a aumentar o impasse institucional entre Casa Branca e Congresso.
Trump minimiza impacto pessoal da derrota
Trump afirmou que aceitará os resultados, mas tentou afastar de si a responsabilidade pelas derrotas republicanas.
Durante a campanha, porém, o presidente havia participado ativamente de comícios e apoiado candidatos em diversas disputas estratégicas.
A AP destacou que candidatos diretamente apoiados por Trump perderam algumas das principais corridas eleitorais.
O presidente também criticou aliados e veículos de comunicação conservadores depois da votação.
Democratas assumem Congresso em janeiro
Os novos parlamentares tomarão posse em janeiro.
A partir daí, Trump enfrentará um Congresso comandado pela oposição durante a segunda metade do atual mandato.
A mudança deverá afetar debates sobre economia, imigração, guerra do Irã, orçamento federal, nomeações judiciais e investigações sobre integrantes do governo.
Brasileiro também faz história na Flórida

As eleições também trouxeram um resultado de destaque para a comunidade brasileira nos Estados Unidos.
Segundo reportagem de O Globo fornecida como fonte para esta matéria, Felipe Sousa-Lazaballet, nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi eleito para a Assembleia Legislativa da Flórida.
Filho de uma empregada doméstica cearense, ele teria chegado aos Estados Unidos sem documentação migratória regular e passado cerca de 15 anos sem retornar ao Brasil.
A vitória o tornou, segundo a reportagem, o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo estadual da Flórida.
O resultado amplia a participação de brasileiros em cargos eletivos nos Estados Unidos e acrescenta outro marco à eleição de 2026.
Eleição muda cenário para 2028
Além do impacto imediato sobre o governo Trump, os resultados deverão influenciar a reorganização dos dois principais partidos para a eleição presidencial de 2028.
Os democratas saem das eleições com maior presença em estados antes considerados fortemente republicanos, enquanto o Partido Republicano terá de avaliar as derrotas em regiões estratégicas.
O resultado, entretanto, não determina automaticamente o comportamento dos eleitores daqui a dois anos. Ele mostra apenas como o eleitorado se posicionou nas eleições de meio de mandato de novembro de 2026.
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