“EL TIGRE”: PF APONTA NARCOTRAFICANTE ESPANHOL LIGADO AO PCC EM ESQUEMA QUE MOVIMENTOU QUASE R$ 450 MILHÕES EM COCAÍNA

Investigação da Operação Narco Sky revela conexões internacionais entre o maior traficante da Espanha, integrantes do PCC e uma rota marítima usada para enviar toneladas de droga para Europa e Ásia.
O narcotraficante espanhol Alejandro Salgado Vega, conhecido como “El Tigre” e apontado pelas autoridades como um dos maiores traficantes da Europa, está entre os principais alvos da Operação Narco Sky, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (2).
Segundo as investigações, El Tigre teria participado da logística de duas grandes remessas internacionais de cocaína enviadas do Brasil para a China entre dezembro de 2020 e março de 2021. A droga partiu do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, escondida em navios de carga com destino a Hong Kong.
Documentos da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, apontam que as duas cargas investigadas estavam avaliadas em cerca de US$ 89,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 447 milhões na cotação atual.
De acordo com relatórios da DEA e do Ministério da Justiça da Espanha, Alejandro Salgado Vega é considerado o maior narcotraficante espanhol em atividade, responsável pela coordenação de grandes rotas internacionais de cocaína entre a América do Sul e a Europa.
As investigações da Polícia Federal revelaram ainda uma conexão direta entre El Tigre e um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Juntos, segundo os investigadores, eles teriam estruturado uma verdadeira frota de veleiros e pequenas embarcações utilizadas para transportar cocaína pelo Oceano Atlântico.
Entre os principais operadores do esquema aparece o empresário Marco Aurélio de Souza, conhecido como “Lelinho”, apontado como integrante do PCC e preso em 2025 durante a Operação Narco Vela. Segundo a PF, ele seria um dos responsáveis pela estrutura logística que levava a droga do Brasil para o mercado europeu.
As apurações indicam que o grupo conseguiu acoplar ao casco do navio porta-contêineres MSC Desiree cerca de 425 quilos de cocaína. A embarcação, que operava sob jurisdição dos Estados Unidos, seguia rota com destino à China.
Outro nome citado nas investigações é o do sérvio Antum Mrdeza, também conhecido como Nikolas Boro, apontado como parceiro de El Tigre no esquema internacional de tráfico. Segundo a apuração, ambos possuíam documentos emitidos no Brasil e teriam atuado na coordenação das operações logísticas da organização criminosa.
A estimativa das autoridades norte-americanas é de que o grupo criminoso tenha obtido lucros próximos de meio bilhão de reais apenas com as remessas investigadas.
A Operação Narco Sky aprofunda as investigações sobre a internacionalização do PCC e reforça o papel do Brasil como ponto estratégico nas rotas globais do narcotráfico, conectando organizações criminosas da América do Sul, Europa e Ásia.