“Eu não sabia”: Ciro Nogueira copia Lula e nega mesada de R$500 mil do ex-dono do Banco Master

Alvo de operação do STF, senador diz desconhecer transação com primo de Daniel Vorcaro e nega pagamentos mensais. PF aponta indícios de compra de ações por R$1 mi que valeriam R$13 mi.


O senador Ciro Nogueira (PP-PI) recorreu à versão 2026 do “eu não sabia”. Alvo de buscas da Polícia Federal autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, ele nega ter recebido “mesada” do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e diz desconhecer detalhes da compra de 30% de uma empresa ligada ao primo do banqueiro.

A operação faz parte da investigação sobre os tentáculos políticos do escândalo do Banco Master. Na quinta-feira, 7, agentes da PF apreenderam o celular do parlamentar — ponto que costuma tirar o sono de investigados, já que mensagens e arquivos podem revelar mais do que a memória alcança.

O que a PF encontrou

Mesmo após a batida, Ciro reafirmou a aliados que nunca recebeu pagamentos mensais de Vorcaro. A PF, porém, interceptou mensagens que, na interpretação dos investigadores, indicam uma “mesada” de R$ 300 mil, com suposto aumento para R$ 500 mil.

O outro ponto sensível: a compra de 30% da Green Investimentos S.A., dirigida por Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro. A transação foi feita pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa de gestão patrimonial da família Nogueira, por R$ 1 milhão.

Para a PF, o valor foi “flagrantemente subdimensionado”. Com base em dados da CVM, a participação comprada valeria cerca de R$ 13 milhões.

O papel do irmão e a tornozeleira

O contrato da compra tem o nome de Raimundo Nogueira Lima, irmão de Ciro. Ele assumiu como administrador formal da CNLF oito meses depois da transação. Por ordem de Mendonça, Raimundo agora usa tornozeleira eletrônica.

“Sua posição funcional não é acidental, mas voltada a conferir forma jurídica e cobertura documental à operação apontada como mecanismo dissimulado de transferência de vantagem econômica ao núcleo político investigado”, escreveu o ministro.

A defesa: “Pensei que fosse CDB”

A aliados, Ciro insistiu que não sabia detalhes do negócio. Disse que acreditava se tratar de Certificados de Depósito Bancário do Master com alta rentabilidade ou outra aplicação financeira para investir o capital da CNLF. Negou conhecer o nome da empresa da família Vorcaro e indicou que o irmão conduziu a operação.

Agora, a defesa do senador estuda ir ao Piauí para analisar documentos e a estrutura da CNLF, já que parte da operação ocorreu no estado.

Eco do mensalão

Seja por falta de memória ou estado de negação, Ciro repete o roteiro de Lula no auge do mensalão, em 2005, quando o então presidente disse “não sabia” do esquema de compra de apoio parlamentar.

No mundo político de Brasília, a avaliação é que será difícil o senador apresentar explicações juridicamente consistentes. Os fragmentos de mensagens e transações financeiras destacados por Mendonça na decisão são vistos como material explosivo.

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