Homem que matou ex-mulher e ameaçou testemunha dentro do tribunal recebe nova condenação de 20 anos de prisão

Réu que assassinou Priscilla Monnick após descumprir medida protetiva voltou a intimidar familiares da vítima durante julgamento; Justiça determina apuração das ameaças
Jorge Bezerra da Silva, condenado pelo assassinato da ex-companheira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, recebeu nesta quarta-feira (3) uma nova sentença de 20 anos de prisão por uma tentativa de feminicídio cometida contra a mesma vítima nove meses antes do crime que resultou em sua morte.
O julgamento, realizado pelo Tribunal do Júri do Recife, terminou por volta das 16h47. Os jurados reconheceram que Jorge tentou matar Priscilla em abril de 2021, mesmo após ela obter medida protetiva de urgência contra ele.
Esta é a segunda condenação do réu. Em julho de 2025, ele já havia sido sentenciado a 29 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio consumado de Priscilla, assassinada em janeiro de 2022 no bairro do Zumbi, Zona Oeste do Recife.
Ameaças dentro do tribunal
O caso ganhou contornos ainda mais graves porque, durante os julgamentos, Jorge Bezerra voltou a ameaçar a irmã da vítima, que testemunhou os crimes e ajudou a salvar Priscilla durante a primeira tentativa de assassinato.
Diante da gravidade das intimidações, a juíza Danielle Cristine Silva Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, determinou que o Ministério Público de Pernambuco apure as ameaças e avalie medidas adicionais de segurança, incluindo uma possível transferência do condenado para uma unidade prisional de segurança máxima.
A magistrada também autorizou que a irmã de Priscilla seja incluída no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas de Morte (Provita).
Tentou matar a ex mesmo com a filha no colo
Segundo a acusação, a tentativa de feminicídio ocorreu em 10 de abril de 2021. Na época, Priscilla já possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, que utilizava tornozeleira eletrônica.
De acordo com os autos, Jorge rompeu o equipamento de monitoramento, descumpriu a ordem judicial e invadiu o local onde a vítima estava. Armado com uma faca, ele atacou Priscilla enquanto ela segurava nos braços a filha recém-nascida do casal.
Uma das facadas chegou a ser direcionada à criança. Para protegê-la, a mãe colocou a mão na frente do golpe. A bebê sofreu apenas ferimentos leves.
O promotor Bruno Santacatharina destacou que a rápida intervenção da irmã da vítima foi decisiva para evitar uma tragédia ainda maior.
“A irmã mais nova estava dentro do quarto e ele não sabia. Quando ouviu os gritos, correu para pedir socorro aos vizinhos. Foi isso que fez o agressor fugir. Priscilla perdeu muito sangue e, se não tivesse sido socorrida rapidamente, provavelmente teria morrido”, afirmou.
Feminicídio ocorreu meses depois
Apesar de sobreviver ao primeiro ataque, Priscilla voltou a ser alvo do ex-companheiro meses depois.
Em janeiro de 2022, Jorge Bezerra invadiu a residência onde ela morava e a matou. Segundo a investigação, ele desferiu golpes de faca no pescoço da vítima e a asfixiou por não aceitar o fim do relacionamento.
A Justiça reconheceu que o crime foi cometido por motivo de gênero, com extrema crueldade e sem qualquer possibilidade de defesa da vítima.
Perde guarda da filha, mas continua obrigado a pagar pensão
Na sentença desta quarta-feira, a magistrada também declarou a incapacidade de Jorge Bezerra para exercer a guarda da filha que teve com Priscilla, destacando que ele jamais desempenhou efetivamente o papel de pai.
A decisão, no entanto, não afasta sua obrigação de prestar alimentos à criança. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o condenado continuará responsável pelo pagamento da pensão alimentícia prevista em lei.
A defesa do réu ainda pode recorrer da decisão.