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Áudio revela operador prometendo colocar Vorcaro “na boca do gol” no Banco do Brasil

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Na boca do gol’: áudio expõe operador que prometia abrir caminho para Vorcaro no BB

PF encontrou mais de 450 mensagens e 180 telefonemas entre dono do Master e operador citado em relato sobre articulações com fundos de pensão

Um áudio encontrado pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro revela um operador identificado como Júlio Cezar dizendo ao então dono do Banco Master que poderia colocá-lo “na boca do gol” em uma negociação relacionada ao Banco do Brasil. A mensagem integra um conjunto de mais de 450 conversas e 180 telefonemas entre os dois, segundo reportagem da revista Veja.

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, Júlio atuava como intermediário nas tentativas do Banco Master de acessar fundos de pensão ligados a empresas estatais. O banqueiro afirma que o operador mantinha proximidade com integrantes do grupo político do então ministro Alexandre Padilha e tinha acesso ao Palácio do Planalto.

As acusações fazem parte de relatos apresentados por Vorcaro às autoridades e não significam, por si só, comprovação dos crimes descritos. Alexandre Padilha, Olavo Noleto, Augusto Lima e o presidente Lula negaram qualquer relação com negócios de Vorcaro no governo e refutaram as acusações feitas pelo banqueiro.

“Já ponho você na boca do gol”

O áudio citado pela reportagem é de maio de 2024. Na gravação, Júlio fala sobre contatos com dirigentes da Petros e pergunta a Vorcaro se havia novidades relacionadas ao Banco do Brasil.

“Qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá”, afirma o operador no trecho divulgado.

Segundo o material, a frase faria referência às articulações para facilitar o acesso do Master a dirigentes e investimentos dos fundos de pensão.

A Polícia Federal também encontrou registros de uma intensa comunicação entre Júlio e Vorcaro, incluindo centenas de mensagens e ligações telefônicas.

Reunião no Planalto aparece nas mensagens

O início dessa aproximação teria ocorrido depois que uma reunião de Vorcaro com integrantes da Fundação Petrobras de Seguridade, a Petros, foi cancelada em fevereiro de 2024.

Mensagens recuperadas do celular mostram que um intermediário chamado Hamilton Buzelin procurou Vorcaro e organizou uma conversa com Júlio antes de uma reunião no Palácio do Planalto.

Em 1º de março de 2024, Júlio avisou Vorcaro que já estava no local. Segundo o relato do banqueiro, foi nessa ocasião que ele conheceu Alexandre Padilha, Olavo Noleto e outros interlocutores.

Vorcaro afirma que Padilha teria dito durante o encontro que aquilo que fosse tratado com Olavo poderia ser considerado como tratado diretamente com ele. A declaração é atribuída ao banqueiro em sua proposta de colaboração e não representa uma conclusão independente da investigação. Texto colado

Vorcaro relata cobrança de 10%

Após a reunião no Planalto, Vorcaro afirma ter recebido Júlio, Olavo e outro interlocutor em sua residência, em Brasília.

Segundo o banqueiro, nesse encontro teria sido apresentada uma exigência de pagamento equivalente a 10% de tudo o que o Banco Master conseguisse captar em fundos como Previ, Petros e Postalis.

Vorcaro afirma que sua intenção era captar bilhões de reais nesses fundos. A reportagem atribui a ele a versão de que parte dos recursos seria destinada ao pagamento de propinas.

As alegações dependem de comprovação e são contestadas pelos citados.

Reuniões com fundos avançaram depois do encontro

As mensagens mostram que, depois da reunião realizada no Planalto, contatos com dirigentes dos fundos começaram a avançar.

Vorcaro conseguiu uma reunião com a Petros três dias depois. Registros encontrados em seu celular também mostram tratativas para encontros no Postalis, na Caixa e no Banco do Brasil.

Em uma das mensagens, Júlio afirma que o presidente do Postalis reservaria parte da agenda para receber o banqueiro. Em outra sequência, o operador informa que questões relacionadas ao Banco do Brasil seriam resolvidas e menciona uma reunião posterior.

Vorcaro também pressionava para que os contatos resultassem efetivamente em investimentos no Master.

R$ 500 mil aparecem em nova troca de mensagens

Outro episódio destacado na reportagem ocorreu em 29 de abril de 2024, quando o Banco Master foi incluído na chamada “lista exaustiva”, relação oficial de instituições autorizadas a receber recursos de determinados fundos de previdência.

No mesmo dia, segundo as conversas recuperadas, Júlio cobrou de Vorcaro R$ 500 mil.

A reportagem afirma, com base no relato do banqueiro, que o valor seria um adiantamento de propina. Vorcaro teria realizado o pagamento e cobrado do operador resultados concretos nas captações.

“Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, escreveu o banqueiro, segundo as mensagens divulgadas.

A existência da cobrança e das mensagens não comprova, isoladamente, a finalidade atribuída ao pagamento por Vorcaro.

Plano para captar recursos acabou frustrado

Apesar das articulações descritas, o Banco Master não conseguiu concretizar as grandes captações pretendidas nos fundos federais.

Em julho de 2024, uma operação envolvendo R$ 500 milhões em letras financeiras do Master e a Caixa Econômica Federal tornou-se pública. Segundo Vorcaro, a repercussão levou os envolvidos nas negociações com Petros, Postalis e Banco do Brasil a interromper ou adiar investimentos.

As mensagens mostram que o banqueiro continuou tentando destravar operações por mais de um ano. Em junho de 2025, Vorcaro reclamou que a equipe já estava havia mais de 12 meses trabalhando sem conseguir concluir uma única “boleta”, termo usado no mercado para se referir à formalização de uma operação. Texto colado

Lula, Padilha e citados negam acusações

A reportagem também relata mensagens sobre tentativas de organizar um encontro entre Vorcaro e Lula. O material afirma que uma reunião entre os dois viria a ocorrer em dezembro de 2024 por meio de outra articulação.

As mensagens anteriores, contudo, são apresentadas como indícios de tentativas de aproximação e não demonstram, por si mesmas, participação do presidente nas supostas negociações envolvendo fundos de pensão.

Alexandre Padilha, Augusto Lima, Olavo Noleto e Lula negaram relação com os negócios atribuídos a Vorcaro dentro do governo e rejeitaram as acusações apresentadas pelo banqueiro.

Os relatos sobre suposto pagamento de propina e interferência política, portanto, permanecem como acusações atribuídas a Vorcaro e precisam ser analisados e comprovados pelas autoridades responsáveis pelas investigações.

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