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Saúde

Mudança no rosto, como a de Vini Jr., pode alterar a biometria facial?

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Procedimentos que agem sobre a pele tendem a não comprometer o reconhecimento; cirurgias e alterações profundas podem exigir atualização do cadastro

A mudança na aparência do jogador Vini Jr. despertou curiosidade nas redes sociais e levantou uma dúvida prática: procedimentos estéticos no rosto podem impedir o reconhecimento por sistemas de biometria facial?

A tendência, segundo especialistas, é que intervenções superficiais ou moderadas não provoquem alterações suficientes para comprometer a identificação. Os sistemas modernos não analisam apenas a aparência geral de uma pessoa, mas diferentes pontos e proporções do rosto.

No caso de Vini Jr., o dermatologista Alessandro Alarcão declarou que o atleta passou por um procedimento chamado de “naturalização facial”. As informações divulgadas indicam que o tratamento teve como objetivo melhorar o contorno e a projeção do queixo sem eliminar as características individuais do jogador.

Não há confirmação pública de que o atleta tenha realizado outras intervenções com profissionais diferentes.

BIOMETRIA ANALISA PONTOS ESTRUTURAIS

Os sistemas de reconhecimento facial analisam diversos pontos e proporções do rosto para comparar a imagem capturada com o cadastro biométrico.

O reconhecimento facial costuma comparar características como a distância entre os olhos, o formato do nariz, a posição da boca e as proporções entre diferentes regiões da face.

Por isso, mudanças discretas na firmeza da pele ou no contorno do rosto geralmente não são suficientes para impedir a identificação. A estrutura óssea e os principais pontos anatômicos continuam preservados.

A aparência também pode mudar naturalmente com o envelhecimento, o uso de barba, alterações no cabelo, maquiagem, variação de iluminação ou expressões faciais. Os sistemas mais avançados são desenvolvidos para considerar parte dessas diferenças.

Mesmo assim, nenhum mecanismo é infalível. Caso o celular ou outro equipamento deixe de reconhecer o usuário, pode ser necessário cadastrar novamente a imagem facial.

COMO FUNCIONA A RADIOFREQUÊNCIA?

A radiofrequência monopolar utiliza energia para aquecer de forma controlada as camadas da pele e do tecido subcutâneo.

Entre as técnicas associadas à chamada naturalização facial está a radiofrequência, tratamento não cirúrgico que utiliza ondas eletromagnéticas para produzir um aquecimento controlado nos tecidos.

A energia é aplicada por meio de uma ponteira posicionada sobre a pele. O aquecimento estimula a contração e a reorganização das fibras de colágeno, responsáveis por parte da sustentação e da firmeza da pele.

O resultado pode deixar o contorno da mandíbula mais evidente e reduzir a aparência de flacidez abaixo do queixo. O procedimento, entretanto, não altera diretamente os ossos da face.

Estudos descrevem a radiofrequência como um método não invasivo utilizado para melhorar a flacidez e o contorno facial, desde que aplicado com indicação adequada e cuidados de segurança.

RESULTADO APARECE GRADUALMENTE

Algumas pessoas podem perceber maior firmeza logo depois da aplicação. Parte da mudança inicial, porém, pode ser temporária e estar relacionada à reação dos tecidos.

A reorganização do colágeno acontece progressivamente. Por isso, os efeitos podem se tornar mais visíveis durante as semanas ou os meses posteriores ao tratamento.

O resultado varia de acordo com fatores como idade, espessura da pele, anatomia facial, grau de flacidez, potência utilizada e resposta individual do organismo.

Diferentemente do preenchimento com ácido hialurônico, a radiofrequência não acrescenta diretamente volume ao rosto. O preenchimento pode projetar o queixo ou modificar o contorno da mandíbula, enquanto a radiofrequência atua principalmente na sustentação dos tecidos.

ALTERAÇÕES PROFUNDAS PODEM TER MAIS IMPACTO

Preenchimentos, toxina botulínica, bioestimuladores e tecnologias de ultrassom produzem efeitos diferentes no rosto.

Cirurgias que modificam os ossos da face ou o uso excessivo de preenchimentos têm maior potencial para interferir temporariamente no reconhecimento facial.

Ainda assim, isso não significa necessariamente que a biometria deixará de funcionar. A resposta dependerá da intensidade da transformação, da qualidade do sistema utilizado e da imagem armazenada anteriormente.

Inchaços temporários após procedimentos também podem dificultar a leitura em alguns equipamentos. Nesses casos, a identificação tende a voltar ao normal depois da recuperação ou após a atualização do cadastro.

PROCEDIMENTO NÃO É ISENTO DE RISCOS

Alguns equipamentos monitoram a temperatura durante a aplicação, mas a segurança também depende da técnica e da qualificação do profissional.

A radiofrequência pode provocar vermelhidão, sensibilidade e inchaço temporário. Complicações menos comuns incluem queimaduras, mudanças passageiras na sensibilidade e perda indesejada de gordura facial.

A Anvisa orienta que procedimentos estéticos sejam realizados em estabelecimentos adequados, com produtos e equipamentos regularizados e dentro das normas sanitárias. A agência destaca que atividades estéticas podem alterar o estado de saúde do paciente e exigem práticas apropriadas de segurança.

Antes do tratamento, o paciente deve passar por avaliação individual e verificar se o profissional está habilitado e se o aparelho possui registro na Anvisa.

Gestantes, pessoas com marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados e pacientes com infecção ativa na região geralmente não devem realizar o procedimento sem avaliação médica específica.


Com informações do Uol

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